Pelo terceiro ano consecutivo Ilda Santos Amorim, 35, veio com o marido, o trabalhador rural João Cassiano de Almeida, 40, trabalhar na colheita do café em Ibiraci (MG). O casal está acompanhado dos filhos de 13 e 8 anos e, ao final dos quatro meses em solo mineiro, espera voltar com mais esperança e a economia feita no período para Anagé, município baiano que tem cerca de 20 mil habitantes e sofre com a intensa seca.
João e a mulher ganham R$ 18 a cada alqueire de café colhido. Em média, colhem cinco por dia, mas podem chegar a sete. A família chegou a Ibiraci nesta safra acompanhada de muitos parentes. No total, são 24 pessoas, sendo oito crianças. “A gente vem porque aqui é melhor. Veio irmã, irmão, cunhados, primos e sobrinhos.”
Na mala, Ilda trouxe a transferência escolar dos filhos. “Eles não gostam muito de trocar de escola, mas acostumam rápido e até fazem amizades.” Ela disse que a família usa também os serviços de saúde do município e sempre foi bem atendida.
Na última sexta-feira, a reportagem acompanhou a chegada de três ônibus de migrantes vindos também da Bahia. “Viemos de Tanhaçu. Lá a seca é cada vez mais forte e não tem o que fazer”, disse Rubenildo da Silva Dias, 31, que veio com a mulher e outros dez parentes, entre eles a tia Maria Aparecida da Silva Oliveira, que há 13 anos integra a população flutuante de Ibiraci. A viagem durou 23 horas.