08 de julho de 2026

Atendimentos públicos dobram com a migração de trabalhadores


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Marlene de Jesus colhe café em fazenda de Ibiraci, município que espera receber 2 mil migrantes nesta safra

Eles chegam de ônibus vindos principalmente do norte de Minas Gerais e da Bahia. Trazem na bagagem somente roupas e algumas outras tralhas como panelas e fogareiros. Desde o mês passado, a chegada de trabalhadores para a colheita de café tem mudado o cenário e a rotina das cidades agrícolas da região.

Em Ibiraci (MG), Pedregulho e São José da Bela Vista, por exemplo, a quantidade de migrantes que chega afeta diretamente o atendimento das duas principais secretarias: Saúde e Educação. Há casos em que a procura por serviços como o pronto atendimento médico dobra em relação ao período de entressafra. Os sindicatos patronais, no entanto, afirmam que a vinda de migrantes está cada vez menor em razão da mecanização e muitos não trazem mais a mulher e os filhos. 

Na manhã da última sexta-feira, a reportagem acompanhou a chegada de três ônibus na região central de Ibiraci. Todos lotados de trabalhadores e suas respectivas famílias e pertences. Desconfiados, poucos aceitaram dar entrevista. Maria Aparecida Aparecida da Silva Oliveira, 48, foi uma exceção. Disse que trabalha na safra há 13 anos e nesse período sempre utilizou os serviços médicos da cidade. “Precisando a gente vem e eles sempre atende (sic).”

Solange Ferreira, secretária de Saúde de Ibiraci, disse que o número de consultas diárias salta de 130 em média para quase 200 durante os quatro meses da safra. “Temos aumento no número de consultas, exames, medicamentos fornecidos e encaminhamentos. Muitos deixam para se tratarem aqui, pois a saúde de onde vêm é mais precária.”

O prefeito de Ibiraci, Ismael Silva Cândido (PT), disse que por um lado a vinda dos migrantes é boa, pois aquece o setor comercial, porém por outro cria “mais dor de cabeça”. “Superlota o plantão e na educação temos que criar novas salas, refazer o roteiro do transporte e até aumentar o total de veículos e motoristas.” São cerca de cem crianças a mais para serem encaixadas na pré-escola e no ensino fundamental. Ibiraci tem 12.176 habitantes e em outros anos chegou receber para a safra mais de 5 mil pessoas. Nesse ano a expectativa gira em torno de 2 mil trabalhadores.

Em Pedregulho, a secretária de Educação, Edna Antunes Cintra, disse que as unidades escolares dos distritos de Iguaçaba e Alto Porã e a escola do Taquari são as mais procuradas para o ingresso de alunos vindos de outras regiões. O motivo é que elas estão na zona rural, portanto, mais próximas das propriedades onde as famílias se estabelecem. Além da reserva de vagas, a secretaria também separa apostilas, livros e outros materiais para as crianças que vêm na companhia dos pais.

A diretora da Escola Municipal de Educação Básica “José Renato Nogueira Ambrósio” de São José da Bela Vista, Elizabete Balan Izaac, diz que muitos alunos chegaram no começo de maio e, para recebê-los, foi feito um trabalho de integração com os demais estudantes.

Segundo o coordenador de Atenção Básica da Secretaria de Saúde da cidade, Silvio Garcia, neste ano, há um aumento considerável dos atendimentos e já houve 90 novos cadastros no Programa Saúde da Família.