08 de julho de 2026

Sacrifícios


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O programa ‘Domingo Espetacular’, da Rede Record de Televisão, no último dia 27 apresentou reportagem chocante a respeito de práticas ritualísticas e supersticiosas que visam à obtenção de vantagens materiais e espirituais. Segundo a matéria, em Uganda, na África, curandeiros praticam ações macabras, envolvendo até sacrifícios humanos.

É cruel o que se viu, principalmente quando cerimônias desumanas vitimam crianças das quais, quando não decepam a cabeça, mutilam os órgãos genitais em nome da crença de que assim procedendo, conseguem obter as vantagens desejadas.

Disse o repórter que grandes construções imobiliárias, antes mesmo de seu início, para que se garantam como empreendimentos bem sucedidos, hão de ter uma cabeça de criança enterrada no seu subsolo.

Quem assistiu à reportagem deve ter ficado assombrado com tanta crueldade e ignorância. São inúmeras famílias mutiladas pelo rapto de inocentes que se tornam vítimas de rituais macabros.

Aqui, para nós, antes que alguém tire qualquer ilação injusta, é bom que se diga, enfaticamente, que a doutrina espírita nada tem a ver com tais práticas. Em centro espírita regido pela Codificação Kardeciana não se praticam rituais.


O Espiritismo não prevê em seu bojo doutrinário qualquer cerimônia ou prática ritualística. Não há hierarquia sacerdotal, não se venera imagem, não se usa paramento, não há incenso e nem vela, bem como não se toma qualquer bebida indutora de transe mediúnico.

Todo observador criterioso verá que o objetivo das reuniões num Centro Espírita segundo Kardec é o da prática do bem para com todos, além do compromisso com o adiantamento moral dos participantes.

Não se visa a solução de problemas materiais, o que até pode ocorrer como consequência da transformação renovadora da qualificação moral. Mas, nas casas espíritas não se reúne visando vantagens senão na forma de enobrecimento do espírito, encarnado ou desencarnado.

Orienta-se, porquanto, segundo os preceitos do Evangelho de Jesus. Ajudar sempre, prejudicar, jamais!

Vejamos, como acréscimo do que já se firmou, o que norteia a Doutrina Espírita e está contido no comentário de Kardec sobre a resposta à questão número 625 de O Livro dos Espíritos: ‘Jesus é para o homem modelo de perfeição moral que a Humanidade pode pretender sobre a Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão da sua lei, porque ele estava animado de espírito divino...’

Com efeito, e segundo anotado pelo próprio Codificador, ‘reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral’.

E transformação moral está distante de práticas exteriores e rituais macabros, até porque, conforme nos orienta Jesus, segundo Mateus (9:13), ‘Misericórdia quero, e não sacrifício’.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Contábeis, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca