Nasceu com o peito aberto,
o coração à mostra.
Todo amor
e todo luta.
Débil o corpo,
débil o choro
(fiapo de ar),
débil a sorte.
Efetivo,
só o exógeno coração:
Uma luta, um pulso;
um pulso, uma conquista.
Outra luta, outro pulso;
mais um pulso, outra conquista.
Nova luta...
Não toques no berço (!)
A vida que ele abriga
é frágil.
Não penses na dor,
porque pesa no berço
que abriga vida
frágil.
Não apresses a vida,
porque Vida inda não há.
Tudo que há é uma luta,
uma incerteza
e um corpo
muito frágil...
Não aflijas o tempo,
que é medido:
um coração-pêndulo-promessa
diligencia, pulso a pulso,
Vida para a vida,
que é frágil.
Uma ampulheta vermelho-esperança
doa e escoa Vida,
e um corpo-dúvida espera.
Não assustes a esperança!
Ela sustenta o berço
que sustenta a vida,
ainda que tão frágil...
Cem vezes por minuto disputada,
cem vezes por minuto conquistada:
Luta, pulso; pulso, conquista.
Luta, pulso, conquista,
luta... luta...
Até quando?