08 de julho de 2026

“Marcha das vadias”


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O mundo ainda é bastante machista, com certeza. E talvez não seja exagerado dizer que esse machismo se assente principalmente na força bruta masculina, em tese superior à feminina. Talvez também não seja exagerado inferir que foi a partir da introdução da força motriz na história da humanidade que essa diferença biológica baseada na força começou a dissipar-se. Afinal, foi justamente a partir desse momento que a mulher iniciou seu caminho em busca da liberdade e passou a ocupar espaços antes reservados apenas aos homens, mostrando que sua inteligência não devia nada à masculina.

Mas essa jornada não tem sido nada fácil. Apesar dos avanços, muitos ranços ainda persistem. De forma geral, é possível verificar que as mulheres recebem salários mais baixos do que aqueles recebidos pelos homens, mesmo quando desempenham funções semelhantes. Percebe-se, também, que elas acabam fazendo jornada dupla, pois acumulam o trabalho externo com as responsabilidades da casa e da família. Além disso, continuam enfrentando vários preconceitos relacionados às questões sexuais, político-partidárias, profissionais e até mesmo de cidadania.

Mas o pior de tudo continua sendo a violência física e verbal a que as mulheres ainda são submetidas em nossa sociedade, a despeito das leis que tentam protegê-las. Uma violência que reflete nitidamente a ancestralidade machista e anacrônica que continua resistindo em boa parte dos homens atuais.

Diante desse cenário, é importante refletir sobre a manifestação que ocorreu em várias capitais brasileiras no último sábado, 26/05, além de algumas do interior de São Paulo, como Piracicaba e São Carlos. Com o irônico título de ‘Marcha das Vadias’, em alusão ao modo pejorativo como algumas mulheres mais ousadas na forma de vestir são tratadas pelos machistas de plantão, a manifestação buscou chamar a atenção das pessoas para a condição feminina na sociedade atual.

No entanto, apesar de divulgada na mídia, a manifestação não conseguiu atrair muita gente. Nas principais cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, os manifestantes não passaram de centenas, a despeito da discrepância entre os números apresentados pelos organizadores e pela polícia.

Em Franca, a marcha nem aconteceu. Apesar de termos um histórico bastante significativo de violência contra a mulher, conforme o Comércio vem noticiando quase que diariamente em suas páginas, parece que o protesto não conseguiu mobilizar nossa sociedade, nem nossas mulheres.

Talvez seja em função de sua recência. A manifestação começou no ano passado, em Toronto, no Canadá. Esse ano já se espalhou por várias cidades do mundo. Quem sabe no próximo ano, mais afinadas com o movimento e sua simbologia, as francanas se disponham a sair pela avenida reivindicando seu direito de serem ‘vadias’ na intensidade em que quiserem.

E que os francanos saiam também, mas desarmados nas mãos e na alma.