Cumprimentar pessoas conhecidas que encontramos em nosso caminho é gesto de civilidade. Até povos primitivos têm alguma expressão diferenciada para reconhecer a presença do outro e saudá-lo. Só os muito indelicados ignoram as fórmulas de polidez que variam de acordo com as culturas.
Nós brasileiros nos saudamos com oi!, olá!, tudo bem? Isso sem falar dos mais formais bom dia, boa tarde, boa noite. O aperto de mãos e os dois beijinhos completam a lista de cumprimentos básicos. Nosso olá é bem antigo e herança portuguesa, com certeza. Datado de 1572, ele aparece em cartas, notícias e história sob a forma ‘oula’, que logo evoluiu para ola e depois olá. Quanto ao ‘oi’, faz-se mistério. Essa palavra tão brasileira não tem certidão de nascimento. Ninguém sabe como surgiu e se espalhou pela população de norte a sul.
Nesta altura você deve estar se perguntando o que é Marhaba, que está no título. Esta é palavra árabe usada pelos libaneses para o cumprimento. Eles falam “Marhara”, que significa algo como “guardo você no meu coração”. Ao mesmo tempo em que falam, colocam a mão no peito. Também sorriem um para o outro, mas sem se tocarem. Na intimidade de suas casas, familiares e amigos se beijam.
Se os libaneses são econômicos nas expressões de afeto fora de sua intimidade, nos abraços e beijos os russos são excessivos. Tanto homens quanto mulheres, beijam-se nas ruas quando se encontram. E, o que pode parecer curioso, os homens trocam beijinhos, mesmo nos lugares públicos. Já nas cerimônias oficiais, trocam apenas apertos de mãos.
Nada de mãos, nada de beijinhos entre os tibetanos. Eles se cumprimentam de um jeito que para nós parece muito estranho. Um mostra a língua para o outro e ambos dizem: “Tashi delek!”, duas palavras que poderiam ser traduzidas para “bom dia!” Mas por que a língua para fora? É que no Tibete há uma tradição segundo a qual língua rosada é qualidade de gente do bem, já que a gente do mal tem língua esverdeada. Viu como as culturas são diferentes? Entre nós mostrar a língua re-vela péssima educação!
Vamos entender quem diz e o que é “Namastê!” Esta é uma palavra indiana que equivale a uma frase inteira: “O Deus que existe em mim saúda o Deus que existe em você”. A Índia é uma nação onde muitos deuses são cultuados. Ao pronunciar Namastê!, os indianos juntam as mãos, como se fossem rezar.
Os japoneses são muito discretos nos cumprimentos em público. A maioria do povo japonês não se beija ou abraça. Quando duas pessoas se encontram, uma fica diante da outra, ambas inclinam o corpo a partir da cintura, mantendo a cabeça levantada. É uma saudação respeitosa. Nos últimos tempos, o aperto de mão é uma prática que está se tornando comum.
“Cum ta bai?” é uma pergunta que se fazem os naturais do Caribe quando se veem nos espaços públicos como ruas, praças, mercados. Corresponde ao nosso “Como vai?” A expressão mistura a língua creola dos nativos com idiomas dos colonizadores holandeses, franceses e espanhóis. A resposta é “Mi ta bom”. Tão parecido com o português, não é?
Hongi, que se pronuncia rongui, é o cumprimento dos esquimós e do povo maori, da Nova Zelândia. Eles encostam o nariz no nariz dos amigos para os cumprimentos . Por que a ponta do nariz? Segundo aquelas culturas, a respiração é vida, e o gesto é portanto simbólico, sendo entendido como compartilhamento do ar. Bonito, não?
Já no Vietnã, o cumprimento não é poético como entre os maoris; religioso, como entre indianos; supersticioso como entre tibetanos; histórico como entre os australianos. O jeito vietnamita de cumprimentar é engraçado. Como a alimentação básica deles é o arroz, quando amigos se encontram, um pergunta ao outro: “Já comeu seu arroz hoje?” Se o outro responde “sim”, colocando a mão sobre a barriga, significa que está tudo bem, pois ele está nutrido, sem fome, satisfeito.