09 de julho de 2026

Vida nômade, boas férias e ganhos de R$ 5 mil


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Luciene Ortolan vive seis meses do ano em feiras pelo Brasil vendendo cocadas e doces. Lucra R$ 5 mil por evento

Lucrar até R$ 5 mil por festa e ter, em contrapartida, uma vida praticamente nômade, viajando de cidade em cidade para vender cocadas caseiras em exposições e eventos como a Expoagro de Franca. Essa é a vida que a comerciante Luciene Ortolan escolheu para si há quase 30 anos, quando se casou e aprendeu com o marido as receitas das cocadas branca, queimada, de leite condensado, abacaxi, maracujá e prestígio. De janeiro a janeiro, de norte a sul do Brasil, ela e o marido viviam para o trabalho e quase não tinham endereço fixo.

Há cinco anos, passou pelo momento mais difícil de sua vida. Perdeu o companheiro e se viu obrigada a continuar viajando sozinha para vender os doces, mas, ao contrário do que fez por quase 25 anos, decidiu que não trabalharia mais durante os 12 meses do ano. Hoje Luciene tem sete funcionários que viajam com ela durante seis meses participando de sete festas. Os outros seis meses fica em Fernandópolis, interior de São Paulo, onde fica sua casa, suas filhas e a neta.

A comerciante participa da Expoagro há 12 anos e sempre fica no mesmo local, nas proximidades da entrada principal do “Fernando Costa”. A estadia dela e dos colaboradores também é no parque, onde ficam em uma espécie de ônibus-casa com dormitório, banheiro e cozinha. Só voltam para casa após a festa desmontada e, mesmo assim, por tempo limitado, até o próximo evento durante a temporada de feiras, entre maio e novembro.

A maior dificuldade, segundo a microempresária, é lidar com a saudade das duas filhas e da neta. Foi esse o principal motivo que a fez decidir pelas férias estendidas. “Quando meu marido era vivo, trabalhávamos o ano todo. Acabavam as exposições agropecuárias e nós íamos para o litoral, mas agora tento ficar mais tempo com a minha família, porque no fim é isso que importa”, afirma.

Os doces são feitos no local das festas, durante o dia. Em geral leva-se cinco horas para preparar um tacho. Há, além das cocadas caseiras, paçoca, doce de leite com amendoim, maçã do amor e morango com chocolate. A cocada e o doce de leite custam R$ 3; os outros doces, R$ 4. Para fomentar o comércio local e ajudar a comunidade que a sustenta por quase 20 dias Luciene compra na própria cidade os ingredientes que usa nas receitas. Com exceção do coco, que vem de um fornecedor de São José do Rio Preto, toda a matéria-prima usada é comprada em Franca durante a Expoagro.

A correria para fazer e vender os doces impede a comerciante de conhecer a fundo a cidade que a hospeda. Mesmo vindo à cidade há mais de uma década, não conhece o município fora das imediações do “Fernando Costa”. “Saio rápido para a compra de ingredientes, e sempre por perto do recinto da festa. Se fizer turismo, não vendo cocada”, explica. As receitas são oriundas de testes que foram sendo feitos ao longo dos anos. O que agradava a clientela, prevaleceu.

Os shows que fazem parte das grades das festas que frequenta raramente são vistos pela vendedora ou seus funcionários. Escuta de longe o que diverte seus clientes. O único que assistiu foi o de Zezé di Camargo & Luciano, em Jacareí, de quem é fã, há alguns anos. No ano passado quis ver Paula Fernandes em Franca, mas não conseguiu. “Lamentei porque gosto dela, mas não deu, fazer o quê? Se tiver outra oportunidade, vou ver”.

O trabalho é árduo, das 21 horas até as 5 da manhã, no mínimo, mas vale a pena, segundo ela. A única reclamação que Luciene faz é do frio nas madrugadas, mas quanto a isso sabe que pouco pode fazer - além de se agasalhar. É o que ela chama de ossos do ofício ou obrigação da profissão. “Faço o que gosto e eu não posso reclamar. Ganho o suficiente para me dar férias e alimento o gosto e o desejo das pessoas. Quem é que não gosta de um docinho para alegrar a vida?”, diverte-se Luciene.

Colaborou: Patrícia Paim