09 de julho de 2026

Sessões mais frias


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As sessões da Câmara Municipal que antes se arrastavam em discussões estéreis agora estão se esgotando rapidamente. A sessão da última terça, por exemplo, durou apenas uma hora e quinze minutos.

A explicação para o inusitado consenso não está supostamente ligada a uma convergência de idéias ou a qualquer discussão prévia entre as lideranças que tenha alinhavado antecipadamente as diferentes posições partidárias. Ao contrário, ela parece estar mais ligada às questões eleitorais que se aproximam e que começam a ocupar totalmente a atenção dos vereadores.

Concentrados em suas reeleições, ou preocupados em auxiliar seus partidos, nem mesmo a oposição resolveu complicar para o prefeito, conforme era esperado. Em pouco tempo todos já estavam livres para cuidar de suas vidas.

Entretanto, alguns comentários colhidos por nossa reportagem merecem um pouco mais de atenção de nossa parte. Para alguns vereadores, as sessões deveriam seguir sempre essa receita. Deveriam ser leves, evitar as discussões que envolvam as paixões político-partidárias e buscar a unanimidade.

Pode até ser que isso seja conveniente para os vereadores, mas com certeza não é nada apropriado para uma democracia. O poder Legislativo, em essência, existe para o debate. É nele que são confrontados os vários interesses que compõem o todo social, cujos representantes oficiais são justamente eles, os próprios vereadores.

Nesse sentido, as sessões não têm que ser leves ou pesadas, assim como os debates não precisam ser apaixonados ou insossos em si mesmos. Ambos devem apresentar uma intensidade que esteja na mesma dimensão de sua importância para os diversos interesses que permeiam o todo social. Alongar-se em alguns debates estéreis ou apressar-se em outros por motivos alheios ao dever legislativo só fará convergir para essa legislatura um pouco mais do descrédito que ela tem cultivado junto à população nesses últimos anos.

O mesmo pode ser dito em relação à unanimidade. A despeito de algumas obviedades e de outras questões de pouca relevância, qualquer um que tenha um mínimo de bom senso sabe que ela é impossível em uma democracia genuína, uma vez que normas decididas pela Câmara não impactam ou agradam a todos os segmentos sociais de uma mesma maneira. E os vereadores sabem muito bem disso.

Por fim, é importante lembrar aos vereadores que os debates são sempre permeados pela razão e pela emoção. Gostemos ou não, isso faz parte do ser humano. Como atualmente ele é majoritariamente um cidadão da polis (cidade), ele sempre será automaticamente político. E no âmbito da Câmara, não fugirá com certeza da questão partidária.

O resto é questão de bom senso, cidadania e profissionalismo.