08 de julho de 2026

Redução do IPI


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A ‘mão invisível’ que regularia os mercados parece não ter sido uma boa profecia de Adam Smith. A idéia até que era simples. A interação entre os próprios indivíduos criaria uma determinada ordem, sem a necessidade de intervenção direta por parte do Estado, que deveria funcionar apenas como uma agência reguladora e fiscalizadora das normas estabelecidas.

Mas não foi bem assim que o capitalismo se desenvolveu. A mão invisível em alguns momentos tornou-se por demais visível. Gerou desordem e obrigou o Estado a intervir. Dessa forma, entre intervir e liberar, foram séculos de uma interminável discussão.

Entre mortos e feridos, no entanto, o mundo acabou fazendo as duas coisas. Sempre que os mercados ameaçaram sucumbir, os governos acabaram intervindo, geralmente com muito dinheiro público, corroborando a sensação de privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos.

Quando o Brasil entrou para a economia de mercado, adotou essa mesma estratégia. Em alguns momentos o governo liberou e em outros interviu, como aconteceu na grave crise econômica que estourou em 2008, e que ainda continua fazendo suas vítimas, sobretudo na Europa.

E é justamente em função dessa recaída de alguns países europeus que o governo brasileiro voltou a intervir na economia. Nessa última semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a redução do IPI (Imposto de Produtos Industrializados) para os automóveis e a diminuição do custo dos empréstimos.

Até aí, tudo bem, já fizemos algo parecido em 2008 e deu certo. Apesar de estarmos hoje com uma economia mais robusta, o país não está imune à crise europeia. E foi o consumo que nos permitiu passar incólumes pela crise. Nesse sentido, é importante que o governo se proponha à ação, pois nosso crescimento já começa a dar sinais de encolhimento. O que talvez seja necessário discutir é se essas são as medidas mais corretas.

A despeito dos efeitos positivos em cadeia que são gerados pelos bons resultados da indústria automotiva e outros bens de capital, é importante lembrar que ainda não fizemos as reformas necessárias em nossas estruturas econômicas, fiscais, políticas e jurídicas. É importante refletir também sobre o endividamento da família brasileira, que se ainda não é alarmante, sob o ponto de vista dos cálculos governamentais, é com certeza o maior de nossa história. Além disso, nossa infraestrutura urbana, já deteriorada e muito sobrecarregada, com um transporte público bastante ineficiente, dificilmente vai suportar um aumento muito grande de automóveis, a não ser à custa de muitos transtornos para o cidadão comum.

Em função dessas e outras questões, é bom recordarmos outra máxima interessante: ‘as árvores não crescem indefinidamente até o céu’. Talvez precisemos inovar em nossas respostas às crises mais recorrentes do capitalismo. Olhar um pouco mais para o futuro do que para o próximo passo.