Maria Fernanda Goulart Aidar, 30, tem sete malas de rodinhas com estampas de onça que a acompanham nas visitas às clientes. Dentro delas, nada de roupas, calçados, maquiagens ou esmaltes. Maria Fernanda transporta produtos eróticos, que vão de lingeries sensuais a vibradores que brilham no escuro ou em formato de batom (os chamados “bullets”). A venda dos produtos é feita porta a porta. Em razão do tabu, que leva muitos clientes em potencial a não atravessarem as portas de um sex shop para fazer compras, a venda em domicílio de acessórios e cosméticos eróticos está em expansão e é um sucesso, garante Maria Fernanda.
A personal sex (sim, esse é o nome informal da profissional) está no ramo há nove anos e lucra em média R$ 4 mil por mês com o sex shop delivery. Clientes dela costumam desembolsar de R$ 100 até R$ 1 mil de um tacada só para comprar as novidades do setor, que podem até ser parceladas no cartão de crédito.
Nove em cada dez clientes da personal sex são mulheres, parte delas garotas de programas. Gays também são habitués do sex shop delivery de Maria Fernanda. Para apresentar os produtos, ela e outras revendedoras que atuam no ramo costumam ir até as consumidoras em salões de beleza, clínicas de estética e depilação e nas residências.
As reuniões de mulheres, batizadas de chá de lingerie, são uma rotina na agenda das miniempresárias do mercado erótico. As reuniões mais empolgadas contam até com shows de gogoboys. Maria Fernanda diz que realiza no mínimo três chás de lingerie por semana. Nos encontros, apresenta e explica o modo de usar e os efeitos de cada produto do sex shop e depois monta uma lojinha para a hora das vendas.
“As reuniões entre amigas não param. Na semana passada, tive festinhas de mulheres todos os dias. Em domicílio, elas ficam bem mais à vontade. As pessoas ainda travam para ir até o sex shop, há resistência, por isso vou até os clientes.” Ela oferece ainda as entregas em domicílio. “Tenho um motoboy contratado, confiável, para levar as encomendas até os clientes, seja em casa ou no motel.”
E não são apenas as jovens que consomem os produtos. Maria Fernanda diz que a maioria tem entre 20 anos e 50 anos, mas ela possui clientes de até 70 anos. “Vejo muitas mulheres que são mães, têm quatro filhos, estão casadas há muito tempo e querem inovar, apimentar a relação. Levar para quatro paredes um produtinho é muito gostoso”, disse Maria Fernanda, que estima ter 90 clientes fixas em Franca e nas cidades da região.
A turismóloga Alice de Oliveira, 22, faz free lance na venda de produtos eróticos a domicílio. Ela oferece pomadas lubrificantes, incensos afrodisíacos, gel para massagens e outros etc. Alice concorda com Maria Fernanda sobre o perfil e o interesse dos clientes e diz que a maioria são mulheres que querem inovar a relação. Alice “herdou” o negócio de uma irmã, que arrumou outro emprego. Hoje, comanda 15 revendedoras na cidade e lucra no mínimo R$ 500 por mês. “Tiro isso quando o mês é fraco. Poderia ganhar mais se tivesse mais tempo para ir até as clientes. Mas tenho outro trabalho.”
Alice diz que a rentabilidade do segmento é alta. “São produtos que se vendem muito bem e, geralmente, a pessoa compra à vista. A margem de lucro é de 100% a 150%. Além disso, é gostoso vender, a gente se diverte. Sempre falo com muita naturalidade sobre os produtos porque não posso ter vergonha”, diz ela, que costuma testar as novidades para ter mais sucesso nas vendas.