Maurício Buffa e Marco Felippe, da Redação
Registros do Arquivo Histórico de Franca dão conta que ela completará 90 anos em 2013. Mas, segundo o historiador José Chiachiri Filho, ela já existia no século XIX, quando era o caminho mais curto para a cidade de Ibiraci, conhecida na época como Aterrado. Transformada em corredor comercial pelos mineiros que vinham chegando na cidade, a avenida Brasil de Franca é também hoje referência em serviços. Se não possui a vida boêmia mais agitada, também não deixa de oferecer ótimas opções aos amantes da noite.
Rica em histórias, sustenta também um alto índice de ocorrências policiais. À semelhança de sua homônima mais famosa, que hoje empresta o nome à novela exibida pela Rede Globo no horário nobre, a nossa avenida Brasil está entre as dez vias com mais casos de acidentes e atropelamentos na cidade - no ano passado, por exemplo, houve uma média de 11 acidentes por mês na avenida. Como Genésio, personagem de Tony Ramos que morreu atropelado acidentalmente na avenida Brasil do Rio de Janeiro por Tufão, o jogador de futebol vivido por Murilo Benício, vários francanos têm sido vítimas na avenida Brasil, felizmente com um pouco mais de sorte do que o personagem da novela.
Nos seus 3,6 quilômetros, a avenida Brasil de Franca tem trânsito intenso. Segundo a Secretaria de Segurança e Cidadania, nos horários de pico, uma média de 4,5 mil veículos trafega pela avenida, transformando o local em um constante vaivém. Nesse percurso há três rotatórias e vários semáforos. Embora seja uma avenida, os antigos canteiros centrais precisaram dar espaço para o trânsito mais intenso. Na maior parte da via, a separação das duas mãos de direção se dá apenas por sinalizadores, do tipo “olhos de gato”. A partir do Jardim Paulistano, a avenida mantém um estreito canteiro central.
Via de ligação da região central com a zona leste do município, a Brasil é uma verdadeira cidade dentro de uma avenida. Ela atravessa três bairros, tem supermercados, agências bancárias, redes varejistas de eletrodomésticos, lojas de roupas, de presentes, perfumarias, postos de combustível, padarias, lanchonetes, salões de beleza, igreja e até fábricas. Também não passa batido a grande quantidade de oficinas, desmanches e autopeças para veículos e as dezenas de opções de bares, pastelarias e “bolotas”.
Segundo comerciantes e moradores do trecho, a avenida “acorda” às 6 horas e só “dorme” depois da meia-noite. Embora na década de 90 tenha perdido o tráfego de ônibus para as ruas paralelas, a avenida ainda tem um fluxo grande de pedestres.
“Aqui na Brasil, as lojas têm clientes toda hora. É uma avenida diversificada, que atende às necessidades das pessoas e evita o deslocamento até o Centro”, disse Wilson Aparecido Spirlandelli, proprietário de uma oficina de carros importados. Para ele, o grande atrativo da via é a movimentação intensa de veículos. “A avenida não para, tanto que temos até dificuldade para receber um guincho ou mesmo para entrar ou sair com um carro da oficina.”