Outro dia, no ‘Programa do Ratinho’ do SBT, foi apresentado o caso da aparição de um espírito que, segundo depoimentos de diversos funcionários daquela emissora, é vista por pessoas em diversas ocasiões num mesmo dia e em determinado estúdio.
O caso foi explorado convenientemente pelo apresentador, que convidara um espírita de quem se ouviu esclarecimento seguro e pertinente, a partir da ideia de tratar-se realmente de um espírito. No entanto, como explicar os acontecimentos, de maneira convincente?
Quanto à autenticidade dos fenômenos, podem-se obter explicações à luz da Doutrina Espírita, por meio de processos de natureza psíquica, convindo observar que jamais o espírita tomará casos tais, como aparição de fantasmas ou demônios.
E por que as aparições acontecem? Em primeiro lugar, há que se considerar que pode trata-se de espírito com estreito vínculo com o ambiente, onde tenha trabalhado e mantido laços de amizade.
Pode tratar-se, também, de espírito que, não sabendo ainda que desencarnou, insista em permanecer no trabalho, apesar da impossibilidade de exercer sua vontade. E pode ocorrer, ainda, que o espírito pretenda transmitir mensagem aos que ficaram, caso em que pode estar ciente da desencarnação e desejar tornar seus amigos cientes de que a vida não termina com a morte do corpo físico.
Em qualquer das hipóteses mencionadas, trata-se de fenômeno mediúnico, porquanto, para que ocorra, é indispensável a presença de médium ou médiuns no local ou nas suas proximidades.
O assunto é exaustivamente estudado no Espiritismo, especialmente em O Livro dos médiuns, onde aprendemos que tais fenômenos podem ser de duas ordens: uma, em que somente os médiuns videntes veem o espírito; outra, em que há materialização da entidade que, então, faz-se visível aos circunstantes, independentemente de serem médiuns.
Em ambos os casos, contudo, no local ou próximo dali, há que se contar com a contribuição fluídica de médium, voluntária ou involuntariamente.
Observe-se, por oportuno, que aparições de espíritos não são exclusividade do Espiritismo, ocorrendo entre os adeptos de todas as religiões, e delas a Bíblia já registrara relatos de inúmeros casos, dos quais destacamos os do ‘Festim de Baltazar’ e da ‘Profetisa de Endor’, para citar apenas dois.
Também a ciência se interessou, com entusiasmo, pelas pesquisas na área da ectoplasmia e são conhecidas as realizadas pelo físico inglês William Crookes e o fisiologista e metapsiquista francês Charles Richet. O primeiro realizou reiteradas experiências por mais de dois anos com o espírito Kate King, utilizando da mediunidade de Florence Cook. O segundo assistiu à materialização do espírito de sua própria mãe e numa experiência realizada com a médium Marthe Béraud, juntamente com Gabriel Delanne, fez com que a ‘materialização’ soprasse o ar de seus pulmões, de que resultou comprovar semelhança de funções ‘fisiológicas’ entre perispírito e corpo físico.
Consideremos, ao final, a força do ditado: ‘Contra fatos não há argumentos’.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca