08 de julho de 2026

Desperdícios e burocracia


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O termo burocracia está ligado à sociologia, mais especificamente aos estudos que tomam as organizações como objetos de análise. É uma estrutura organizativa baseada na racionalidade, que busca garantir a máxima eficiência possível de todo o sistema na busca pelos objetivos pretendidos. Para isso, utiliza-se de procedimentos explícitos e regularizados, divisão de responsabilidades, especialização do trabalho e hierarquia nas relações pessoais. De forma geral, presa bastante a impessoalidade, tentando evitar que as emoções interfiram nos processos administrativos.

Desde seu nascimento, porém, já se atribui ao termo um significado pejorativo. Burocracia vem de uma mistura da expressão grega ‘krátos’ (poder ou regra) e do termo francês ‘bureau’, que se referia primeiramente às escrivaninhas das repartições públicas daquele país, mas que posteriormente passou a designar todos os escritórios, públicos ou privados.

Nota-se claramente a intenção irônica de seu criador, mostrando dessa maneira a ineficiência de algumas dessas repartições, geralmente as públicas, com seus excessos de rigidez e controle, muitas vezes desnecessários e redundantes.

No Brasil, especificamente, em função de seu histórico secular de apropriação do público pelo privado, a burocracia ganhou uma função importante. Por meio dela, buscou-se transferir a autoridade para um sistema de processos e procedimentos que, por sua impessoalidade, teria como objetivo principal ao menos amenizar esse tipo de atitude.

Mas também entre nós a burocracia não tardou a ganhar esse significado pejorativo que a acompanha desde seu nascimento. Mas, entre nós, é importante afirmar: ruim com ela, pior sem ela.

Nesse sentido, é possível deduzir que a Prefeitura está ‘pisando na bola’. Atribuir apenas à burocracia os atrasos na licitação do viaduto e no início das obras do prédio do esqueleto na entrada de Franca parece uma desculpa um pouco evasiva por parte do poder municipal. Tanto o prefeito quanto seus subordinados comissionados e efetivos conhecem muito bem as regras que regem as licitações e as concorrências. Como elas existem para evitar desvios, apadrinhamentos ou quaisquer outras ações que prejudiquem o interesse público é fundamental que todos saibam trabalhar dentro de suas limitações. É preciso total atenção no momento de elaborar os editais para diminuir o número de recursos que costumam emperrar esses processos. A partir dessa medida, será possível agilizar também processos que eventualmente venham a parar no judiciário. Esse não terá motivos para exagerar suas atribuições, nem acatar recursos descabidos que se pautam por detalhes legais hoje insignificantes e anacrônicos. Dessa maneira, simplificam-se
os procedimentos, evitam-se dúvidas e elimina-se sensações incômodas como a do prédio em questão. Afinal, foi empregado dinheiro público para comprá-lo e não se pode perder de vista que o valor é bastante considerável: R$ 1,7 milhão.