A queda na temperatura acaba pesando no bolso do consumidor. Uma das contas que registra aumento é a de energia elétrica, já que o consumo é maior nesta época do ano. Com a fatura mais alta, muitos não conseguem pagar o que gastaram e a inadimplência também sobe. Em Franca, deixam de ser pagos em média cerca de R$ 200 mil por mês em contas de luz. De acordo com a CPFL Paulista, no período do frio esse índice aumenta de 10% a 15%.
“Temos volume maior de inadimplência nesse período do ano por clientes que deixam de pagar suas contas, porque quando recebem - sem estar devidamente conscientizados com os impactos dessas alterações - acabam recebendo uma conta de energia num valor mais alto e podem ter algum problema para a quitação dela”, explica o gerente de serviços de rede da CPFL Paulista, Riberto José Barbanera.
O maior vilão no gasto com energia é o chuveiro elétrico. Ele representa em residências comuns de 30% a 35% do consumo total, seguido pela geladeira 20% e iluminação 15%. Eletrodomésticos, ferro de passar e máquina de lavar também fazem parte dos itens que consomem mais energia.
O aposentado Júlio Amélio da Silva, 58, mora com a mulher, dois filhos e um neto no Leporace III. A conta de energia sempre é superior a R$ 160. Ele conta que, com o tempo frio, tem de monitorar os banhos da família, que tendem a se tornar mais demorados. “Eu vivo falando, principalmente para os rapazes, que têm que ser mais rápido porque o chuveiro gasta muita energia.”
Barbanera destaca que com a queda de temperatura, a tendência é alterar a chave do chuveiro para a posição inverno, que consome ainda mais energia. Isso, aliado à maior permanência no banho, pode resultar no aumento de 10% a 12% no consumo em relação às demais estações do ano.
Quem utiliza o chuveiro com maior frequência já viu o valor da conta de energia saltar nos dois últimos meses. Silvia Aparecida de Souza é proprietária de um instituto de beleza e utiliza o lavatório com frequência. “A conta de energia já aumentou 40%. O prejuízo fica para mim, porque o mercado não comporta que eu repasse esse aumento para as minhas clientes.”
AUMENTO DO CONSUMO
A CPFL Paulista tem registrado no segmento residencial um crescimento do consumo na ordem de 4% a 4,5% ao ano. Barbanera atribui esse avanço ao aumento da renda dos brasileiros. “Os equipamentos se tornam mais eficientes, no que diz respeito ao consumo de energia. Por si só, traduziria numa tendência de redução do consumo, porém existe na contrapartida a aquisição de mais aparelhos eletroeletrônicos, eletrodomésticos, pela questão do poder aquisitivo ou pela facilidade de aquisição que existe hoje. Então, isso acaba caracterizando esse aumento de consumo.”
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