08 de julho de 2026

Motorista escapa da morte


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Antônio Carlos, 57, é um dos taxistas da Cooperativa Unitáxi e costuma atender os clientes no ponto na Praça Nossa Senhora da Conceição, em frente à Catedral. Em 12 anos de profissão tem marcado na memória os três assaltos que sofreu. Os ataques ocorreram próximos um do outro. Na ocorrência mais grave, Antônio Carlos escapou da morte. O assaltante apontou o revólver na cabeça dele e disparou duas vezes, mas a arma não disparou, as balas ficaram retidas. O taxista diz que está cansado da profissão, mas alega não ter outra opção de trabalho e continua nas ruas ganhando dinheiro com o transporte de pessoas por necessidade.

O primeiro apuro que Antônio Carlos enfrentou foi no Bairro São Joaquim, às 3h30 da madrugada. Um homem havia solicitado o carro pela central e assim que entrou no banco do passageiro, puxou do bolso uma faca. Antônio Carlos percebeu e reagiu. “Saímos em luta corporal. Dei uma cotovelada nele e consegui tomar a arma, aí ele fugiu, mas dois dias depois acabou preso.”

Na segunda vez, o assalto ocorreu em plena luz do dia, por volta das quatro e meia da tarde. O assaltante apontou a arma na cabeça do taxista e apertou o gatilho. Foram duas tentativas. “Nas duas, a bala ‘picotou’ dentro do revólver. Graças a Deus não aconteceu nada e estou aí vivo, trabalhando. Mas foi horrível. Na hora você não sabe o que faz.” Para Antônio Carlos, ter sobrevivido é um milagre. “Naquele momento Deus estava comigo e me ajudou muito porque vivi de novo. O sargento da polícia que participou da prisão do rapaz me mostrou as balas encontradas no revólver e falou que era para elas terem me matado”, relembrou ele, com os olhos marejados.

Para tentar evitar ser assaltado novamente, Antônio Carlos disse que chega a recusar corridas. “Hoje, principalmente à noite, se vejo o tipo da pessoa e o local é perigoso não embarco. Quando ligam de orelhão, vou prevenido, passo primeiro observando e, se achar arriscado, não embarco. O problema é que você não pode julgar as pessoas, só na hora que estão aqui dentro do carro que você vê o perigo, mas aí não tem como fazer nada”, disse ele, que trabalha à noite e durante o dia e realiza uma média de 14 corridas diárias.