Um pássaro se alimenta de insetos, mas pode ser alimento de um gato. O gato come o pássaro que comeu o inseto. Mas a onça chega e come o gato, que comeu o pássaro que comeu o inseto. A isso damos o nome de cadeia alimentar. Diante da possibilidade de serem destruídos por outros, muitos animais aprenderam, durante milhões de anos de evolução biológica, a se disfarçar para preservar a vida. Mudaram forma, cor e comportamento para dificultar a ação de seus predadores. Passaram a ver seu agressor, sem serem percebidos por ele. Assim escapavam vivos. A isso os biólogos chamam “adaptação”. Essa adaptação ocorreu com grupos muito diferentes de animais, como mamíferos e insetos. Por isso acredita-se que a habilidade para se confundir com o meio surgiu logo nos primeiros tempos da evolução biológica e foi transmitida e difundida em todos os grupos. Não precisamos recuar tanto no tempo para perceber isso. Filhotes de aves como emas, inhambus, faisões, galinhas, mutuns, patos e marrecos nascem com os olhos abertos e capazes de seguir os pais. Esses filhotes contam com uma plumagem que se camufla com o ambiente em que vivem. Com estrias, faixas e barras dispostas por todo o corpo, em cores discretas como marrom, bege e negro, têm um padrão que dificulta a visualização de seus predadores, que distinguem poucas cores. Além disso, esses filhotes, quando percebem o perigo, ficam imóveis, complicando mais ainda a percepção dos agressores. Tal fenômeno, que se caracteriza pela capacidade de um animal confundir-se com o ambiente, é conhecido por camuflagem.
No Brasil existe uma ave que exemplifica com perfeição essa estratégia de sobrevivência. Ela se chama urutau, nome que lhe foi dado pelos indígenas que habitavam nosso país na época do descobrimento. Seu processo de camuflagem é tão extraordinário que ela fica parecendo parte do próprio tronco onde pousa, pois sua cor lembra madeira. Mesmo quando ainda é um filhote, pousa na ponta de galhos verticais e, graças a uma série de modificações no seu esqueleto, principalmente nos pés, consegue manter-se em posição ereta, imitando perfeitamente a ponta de um galho quebrado. Como permanece sem fazer qualquer ruído, engana completamente seus predadores, que não a veem. Até o olhar dos humanos, que não são predadores dos urutaus, quase não consegue identificá-lo. É fantástico!