Sebastião Manoel Ananias está de volta à Prefeitura. Ele ficou 50 dias afastado da Secretaria de Finanças por causa de problemas de saúde. Neste período, entrou em estado de coma, passou 12 dias no CTI (Centro de Terapia Intensiva) e perdeu dez quilos. Ainda no hospital, ficou sabendo que sua morte havia sido “decretada”. Ontem, despachou em seu gabinete.
Ananias fez uma cirurgia no dia 27 de março. Três dias antes, havia disputado as prévias internas do PSDB. Ele pretendia voltar ao trabalho na semana seguinte e chegou a despachar de casa. No sábado, após alguns poucos dias de repouso, foi a Jaboticabal onde a filha é juíza. Diz não ter sentido nada.
Na madrugada de segunda para terça-feira, 3 de abril, começou a apresentar sintomas de febre. Foi internado com um quadro de infecção cirúrgica. Ficou no CTI. “Entre todos os envolvidos, principalmente, no núcleo da família, eu fui o que menos sofreu. Na fase mais crítica eu estava fora de órbita e não senti nada. Hoje, posso dizer, com conhecimento de causa, que foi uma prova de fogo.”
Ananias recuperou os sentidos no dia 12 abril, uma quinta-feira. No domingo, já estava no quarto. Dois dias depois, foi para casa. Ainda no hospital, já livre de perigo, ouviu de um enfermeiro que os atendentes não acreditavam que ele fosse sobreviver. “Eu estava com os rins paralisados. Eles achavam que eu fosse morrer, que eu não passaria da Sexta-feira Santa. Passei e, no domingo, fui declarado como fora de perigo. Acredito que a reversão deste quadro se deu em razão da força da oração.”
O secretário só ficou sabendo da previsão equivocada uma semana depois. Ananias conta que não teve medo de morrer e que o otimismo na recuperação foi motivado pelo apoio recebido da mulher. “Sempre tive uma esperança muito forte. Minha família nunca faltou com a verdade comigo. Minha mulher é muito religiosa e me confidenciou que, em momento algum, sentiu que me perderia, que eu fosse morrer. Aquilo foi um bálsamo muito grande.”
Ananias admite ter ficado angustiado com o longo tempo transcorrido até que pudesse retomar sua rotina. Ontem, ele voltou. Entre uma assinatura e outra de papéis, recebeu abraços, cumprimentos e telefonemas de amigos. “A volta ao trabalho foi fantástica, agradabilíssima. A acolhida foi muito além do que entendo merecer.” O secretário, que completará 68 anos em setembro, diz que a lição tirada do episódio é a necessidade de abortar questões que não constroem e valorizar mais as positivas. “Ganhei neste período uma ênfase maior na vida. Agradeço à família, aos amigos e, de forma mais enfática, a Deus pela nova oportunidade que ele me deu.”