09 de julho de 2026

Atendimento da Apae apresenta uma nova vida a casal de irmãos


| Tempo de leitura: 4 min
Michele de Oliveira Marciano sorri ao lado das peças de fuxico que confecciona na Apae

Michele, de 22 anos, e Wemerson de Oliveira Marciano, de 21, são irmãos. Ela sonha concluir o supletivo no fim do ano e iniciar em 2013 um curso de enfermagem no Senac. Ele quer tirar a carteira de motorista e ser contratado por uma fábrica de calçados para ajudar a mãe com seu salário. Jovens, eles alimentam outros sonhos. Mas fazer planos só passou a ser algo presente na rotina do casal de irmãos depois que começaram a ser atendidos na Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcional) de Franca. Os dois nasceram com atraso mental e antes viviam num mundo de exclusão, em preto e branco. A mãe deles, a dona de casa Aparecida Antônia de Oliveira Marciano, 53, que tem mais quatro filhos, costuma dizer que a Apae mudou a vida dos filhos “da água para o vinho”. “É uma benção de Deus ter esse lugar maravilhoso para eles.”

Michele e Wemerson são apenas duas das mais de mil vidas sob os cuidados de uma equipe de 208 funcionários na Apae. Michele estudou numa escola estadual por seis anos. Não conseguiu aprender a escrever. Aos 12 anos fazia apenas letras de forma e com dificuldades. Amizades ela não tinha, era nervosa e agressiva, disseram os familiares. “Antes da Apae, não conversava muito, não tinha interesse em falar com as pessoas. A Apae me fez ter amigos”, disse Michele.

O dia a dia fechada em casa, sem atividades, se tornou passado. A rotina de Michele é agitada desde que começou a frequentar a Apae há sete anos. Pela manhã, faz um curso de preparação para o mercado de trabalho no Senac, à tarde estuda e faz aulas de artesanato na Apae e à noite frequenta o EJA na Escola “José Mário Faleiros”, no Aeroporto, mesma região onde mora com a família. “Foi a professora Sônia, da Apae, que falou para eu estudar, correr atrás das coisas que quero.” O próximo passo é se formar enfermeira. “Eu me vejo sendo enfermeira. É meu sonho. Sempre quis ter essa profissão, desde pequenininha.”

Diferente da irmã Michele, Wemerson não frequentou escola. Foi matriculado numa creche quando criança, mas não acompanhou a turma e os pais desistiram de levá-lo para a entidade. Até os oito anos de idade vivia quase 100% do tempo em casa. Desconhecia letras e números. E não falava. “Ele só dizia é, é”, lembra a mãe Aparecida. Ele é aluno da Apae há 13 anos e hoje tem uma nova vida. É extrovertido e falante. Diz o que pensa espontaneamente.

“Faço pintura, colo figuras, escrevo meu nome, escrevo na lousa, faço educação física, aula de música. Tem caminhada na Apae uma vez por semana com a Luciene e é muito boa. Gosto muito. As refeições também”, disparou no dia da entrevista, todo sorridente.

Wemerson está com 21 anos e se orgulha de dizer que sabe escrever o próprio nome. Se diverte ao falar de seus sonhos. “Quero mesmo estudar bastante para tirar minha carta e dirigir um carro.” Ver o Corinthians com bom desempenho nas jogadas é outra torcida do jovem.

SURPRESA
A irmã mais nova dos dois, a auxiliar de produção Mirian Naila, 18, disse que o desenvolvimento dos irmãos com ajuda da equipe da Apae surpreendeu os familiares. “A gente achava que o máximo que poderiam chegar era falar, mas hoje eles fazem muitas coisas. Para as pessoas pode parecer pequeno, mas para a gente é uma surpresa o fato do Wemerson escrever o nome, ir sozinho na mercearia e comprar certinho o que a gente pede. A Michele anda de ônibus sozinha e antes ela era superfechada”, disse Mirian, que adora chegar em casa no fim do dia e tomar o café preparado por Wemerson sozinho. “Minha mãe ensinou e ele aprendeu.”

Mirian se lembra da fase em que o irmão, ainda criança, corria sem roupa para a rua e comia sabonete. “É um gesto que a Apae faz de amor. Não é só fazer porque tem que fazer. Agradeço a Deus por essa entidade, essa escola de lá, porque não é todo mundo que tem paciência com pessoas especiais, como meus irmãos, meus primos.”

A mãe deles se considera uma privilegiada pelos filhos poderem se beneficiar dos serviços prestados pela Apae. “A Apae é uma benção de Deus. Eles tiveram uma melhora muito boa, o atendimento é muito bom, jamais tenho que dizer nada da Apae, tenho que agradecer. Ali não é só Apae, é mãe, é pai da gente, é pai da mãe e do aluno, todo mundo ajuda.”
 

Acompanhe sobre o leilão no Blog