A sociedade atual, como já tivemos oportunidade de afirmar, caracteriza-se pela prática do descarte. Quase tudo é descartável. Em nome da praticidade e da economia, descartam-se o copo, os pratos, os talheres...
Rejeita-se uma roupa, compra-se outra. É fácil! Substitui-se a geladeira, a TV, por modelos com mais recursos, mesmo que estejam em pleno funcionamento. Trocam-se, também, com muita facilidade, os parceiros nos relacionamentos, porque, afinal, eles também são problemas de solução simples: descartam-se.
Não há mais tempo para o cultivo do respeito, do apreço, da consideração, do afeto que, com certeza, mais cedo ou mais tarde, resultaria em amor de verdade. É o ‘cada um para si’.
Os filhos estão, a cada dia, mais descartáveis. Os pais, a quem compete zelar pela saúde integral, isto é, física e moral, dos filhos, transferem suas responsabilidades para outros, com a alegação de que têm que buscar o sustento da família.
Na aparente busca de melhorar os recursos para cuidar da prole, a expõe aos perigosos inconvenientes das babás eletrônicas ou mesmo humanas, que, por mais confiáveis e zelosas que sejam, jamais substituem os pais.
É brutal a escassez de tempo de presença paterna/materna junto aos filhos. E, quando estão presentes, só o estão de corpo, porquanto ausentes de espírito, requisitado pelos compromissos a atender. É o celular, é a seção de esportes, de polícia ou de economia, cuja leitura não pode ser perturbada. É a convivência fracionária e sem amor.
A psicóloga Rosely Sayão, no caderno ‘Equilíbrio’, do jornal Folha de S, Paulo, edição 13/03/2012, conta-nos que a moda agora é entregar os filhos para serem cuidados, integralmente, por escola/creches.
Ali as crianças ficam durante todo o dia, só retornando para casa à noite, quando os pais voltam do trabalho. É um verdadeiro descarte da responsabilidade para com a família.
Dir-se-á que a luta por uma vida melhor a isso os obriga. Será apenas isso ou os genitores, reconhecendo a dificuldade da educação, pretendem transferi-la a outrem?
Estudiosos têm se debruçado sobre o tema e concluíram que é melhor uma vida mais modesta, porém com intensa e amorosa vida familiar.
O lar é o ninho onde os filhos devem encontrar o alimento espiritual que os sustentará na nova experiência existencial.
Observando a natureza, percebe-se o carinho com que as aves estruturam seus ninhos. Só depois de pronto o ninho é que os ovos são postos e chocados. Nascidos os filhotes, estes recebem todo cuidado até que estejam prontos a enfrentar sozinhos a realidade da vida.
Ora, a espécie humana deve aprender a lição dos pássaros e tornar o lar o verdadeiro ninho da sua prole. Deus nos deu a inteligência para adoção de providências no momento certo contra males e dificuldades perfeitamente evitáveis. Não adotadas, e serão os marmanjos a se contemplar com os benefícios da creche.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca