Se já não bastasse a insegurança e o medo que permeiam os cidadãos francanos antes de saírem de suas casas, ultimamente também sair do banco se tornou uma verdadeira aventura para boa parte da população. De acordo com a Polícia Militar, cerca de R$ 83,5 mil já foram levados pelos ladrões desde o começo do ano. A ação tem se tornado tão comum que alguns bancos fazem seus clientes assinarem um ‘termo de responsabilidade’ quando sacam e levam em dinheiro valores um pouco mais elevados.
A receita desse novo modelo de furto todos já conhecem. Disfarçadamente, alguém fica espionando a movimentação dos correntistas dentro do banco. Quando percebe alguma retirada mais significativa, marca o cidadão que imediatamente (e mesmo sem saber) se transforma em vítima. Depois é só não perdê-lo de vista e avisar o comparsa (ou comparsas) que já estão apostos do lado de fora do banco. Daí para fazer a abordagem e cometer o assalto, é só uma questão tempo e de espera pelo momento e lugar mais oportunos.
É uma situação realmente difícil. Como a imensa maioria das pessoas não anda com seguranças pelas ruas da cidade, não tem carro blindado, nem necessariamente anda em turmas, torna-se muito difícil combater ou se livrar desse tipo de crime. Mesmo considerando a intensificação das ações de vigilância que as Polícias Civil e Militar têm empreendido durante as épocas de pagamento, não há como coibir totalmente esse tipo de crime, pois não existem efetivos policiais suficientes para o número de pessoas que se espremem nas inúmeras agências bancárias da cidade durante esses dias.
Dessa forma, o cidadão francano vai conhecendo mais uma forma de violência, de invasão de sua privacidade e de usurpação de seus direitos. Muitos, inclusive, acabam perdendo uma quantia que, independentemente do valor, não faz parte de sua poupança, mas sim de seus gastos cotidianos, fundamentais para sua digna sobrevivência.
Nesse sentido, é preciso que encontremos uma rápida solução para esse problema. O simples ato de ir ao banco não pode se tornar uma aventura incerta em nossa cidade, como se já não bastassem os problemas do trânsito, das drogas e da violência comum. Claro que há sempre a opção da internet, mas nem todos têm acesso, além disso, fazer uso da internet para realização de serviços bancários deve ser uma opção e não por falta dela.
Os bancos, por sua vez, também precisam se envolver nessas questões. Não podem ‘lavar as mãos’ como se nada tivessem a ver com isso. Juntamente com nossas autoridades, e com a própria sociedade civil, talvez fossem fundamentais na busca de soluções concretas para acabar com esses roubos, uma vez que detêm conhecimento, recursos e tecnologia para isso.
De resto, intensificar a vigilância e aumentar o rigor das punições também não faria mal a ninguém, a não ser aos ladrões.