As sucessivas altas do dólar não devem influenciar as exportações dos calçados de Franca em curto prazo. “O dólar a R$ 2 sai do inviável para começar a ficar aceitável. Franca começa a entrar num nível de competitividade. Mas o resultado não é imediato. Se o dólar se mantiver em R$ 2, a previsão é que demore um ano para haver aumento no número de exportações”, disse diretor de marketing da Sândalo, Téti Brigagão.
No primeiro quadrimestre deste ano, houve queda de 20,8% nas exportações de calçados de Franca, quando comparadas com o mesmo período de 2011. De acordo com o Sindifranca (Sindicato da Indústria do Calçado de Franca) no ano passado foram exportados, de janeiro a abril, 964.588 pares de calçado. Este ano foram apenas 763.926.
Téti Brigagão confirma a queda. Ele aponta que em 2011 foi exportada 20% da produção da Sândalo. Este ano, a venda de calçados para outros países corresponde a 15% do que é produzido pela empresa.
O economista Hélio Braga Filho avalia o momento como instável. Ele diz que é difícil afirmar se as exportações locais serão atingidas de forma positiva, levando em conta a delicada situação na zona do euro, a lentidão na recuperação da economia norte-americana e indícios de que a economia da China se encontra em um processo de desaceleração. “Toda essa turbulência pode provocar reações diferentes ao ponto de os países procurarem exportar mais e importar menos. Mesmo com dólar nesse patamar (R$ 2), o problema agora é demanda e estabilidade macroeconômica.”
O presidente do Sindifranca, Luiz Carlos Brigagão, está otimista com a desvalorização do real frente ao dólar. “É uma luz no fundo do túnel. A posição do governo federal em relação ao dólar é positiva. Nós temos que exportar. Não podemos ficar apenas no mercado interno.”
EXCEÇÃO
A exportação para vários países possibilitou à Sapatoterapia manter o índice de vendas de calçados no mercado externo. Os produtos exportados representam 30% da produção da empresa, que negocia com 58 países. “A gente participa de várias feiras, as principais do mundo, sempre para conseguir clientes novos. Não tivemos queda”, destaca o diretor da Sapatoterapia, Leonildo Lopes Ferreira. Ele acredita que o aumento do dólar pode aumentar as exportações em médio e longo prazo.