08 de julho de 2026

Trabalho infantil


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Para alguns pensadores, o que diferencia o homem dos outros animais não é a razão, em primeiro lugar, mas sim o trabalho. Somos os únicos a transformar a natureza de forma objetiva, com uma intencionalidade que transcende o terreno das necessidades e invade a esfera do desejo.

Como afirma uma conhecida e repetida frase, o trabalo dignifica o homem e é seguro dizer que ele é importante para qualquer grupo ou classe social. Dignifica a todos, aponta caminhos e prepara para a vida. Afinal, no mundo atual, passamos a maior parte do tempo no trabalho. Nossas conquistas, geralmente, são carimbadas por ele e suas glórias são diretamente proporcionais ao esforço que empreendemos.

Nesse sentido, é importante refletir sobre os dados do Censo 2010 em relação ao trabalho infantil, que foram divulgados pelo Comércio na quarta-feira, 09/05. De acordo com eles, existem 647 crianças de 10 a 13 anos trabalhando em Franca e outros 143, nessa mesma faixa de idade, que estão à procura de emprego.

Obviamente, muitos irão se escandalizar com esses números, afinal existe uma lei que proíbe o trabalho de menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. Porém, se olharmos com mais atenção o que tem acontecido em nossa cidade, talvez sejamos obrigados a repensar a falta de flexibilidade dessa lei.

Não é novidade para ninguém que muitas crianças nessa faixa etária têm se envolvido em vários episódios que vêm manchando a história de nossa cidade, todos eles muito tristes e nada dignificantes. Badernas, brigas, furtos, atos de vandalismo e até confronto com a polícia tem sido anunciados com certa constância pela imprensa francana.

É também sabido por todos que o trabalho de muitas dessas crianças seria importante para melhorar as condições de suas famílias, melhorando o nível de vida e, consequentemente, aumentando as chances de um futuro mais promissor, não apenas para eles, mas também para toda a sociedade.

É claro que com essa relação não queremos defender a exploração de crianças em trabalhos nada condizentes com sua faixa etária e com suas condições físicas, como acontecia no início da Revolução Industrial e ainda continua acontecendo em muitos países, inclusive no Brasil. Não pretendemos, também, afirmar que essa lei seja a responsável pelo fato de meninos entre 10 e 13 anos de idade estarem na rua em plena madrugada, cometendo delitos e outras ações reprováveis e inadequadas para sua idade. Queremos apenas defender que o trabalho, quando adequado, não faz mal a ninguém.