A música sertaneja na sua forma mais original: cantando o amor. Esta é a promessa para o show desta noite, no segundo dia de festa na 43ª Expoagro. Os irmãos Devanil e Denival prometem subir ao palco para emocionar casais apaixonados e animar os solteiros de plantão. E antes de você torcer o nariz e dizer que nunca ouviu falar dessa dupla, a explicação: Devanil e Denival são, há quase 30 anos, Chico Rey & Paraná, dois dos maiores defensores do romantismo em letra e prosa.
Os sertanejos voltam a Franca para uma apresentação onde devem cantar por quase duas horas os sucessos de três décadas. “Franca é uma terra especial para nós. Já estivemos na cidade cerca de 10 vezes e é sempre muito bom, a recepção é contagiante. A cidade é berço da música sertaneja e tem artistas renomados e de quem gostamos muito, como Gian & Giovani e Rionegro & Solimões”, disse Chico Rey.
Com uma média de 15 shows por mês e donos de hits como Quem será seu outro amor, que abriu as portas do sucesso para a dupla, Tranque a porta e me beija e Você não sabe amar, os sertanejos somam hoje 21 discos lançados e um DVD. E os fãs têm motivos para comemorar: ainda neste ano, eles devem apresentar o resultado de mais um projeto, o segundo DVD da carreira, que vai ser gravado no segundo semestre em Goiânia.
Naturais do Paraná, foi justamente o Estado natal da dupla que ajudou a rebatizar os dois irmãos e dar nome à dupla. José Cláudio Gomes se transformou em Paraná e Francisco Aparecido de Jesus Gomes em Chico Rey. A escolha por este nome se deve à história do escravo Chico, que vivia em Ouro Preto e conseguiu comprar sua carta de alforria. “O Chico virou o rei dos escravos, Chico Rei. Quando li sobre ele achei bonita a história e quis homenageá-lo”, explicou.
Os convites para quem for conferir o show da dupla estão à venda a R$ 30 a inteira, R$ 15 a meia-entrada e R$ 20 o Ingresso Solidário (este último só pode ser comprado antecipadamente junto com a doação de um quilo de alimento não perecível).
Os menores de 16 anos só terão entrada liberada no Parque de Exposições “Fernando Costa” se acompanhados pelos pais ou por um responsável que apresente procuração com firma assinada e reconhecida em cartório. É preciso ainda apresentar na portaria, além da declaração, documentos originais do acompanhante e da criança ou do adolescente. Jovens com idades entre 16 e 18 anos não precisam da autorização para entrarem, mas devem apresentar o RG junto com o ingresso. Quem usar do benefício da meia entrada precisa estar munido da carteirinha de estudante.
‘Gostamos de cantar o amor puro e verdadeiro’
Comércio da Franca - O que os fãs da dupla podem esperar do show de hoje?
Chico Rey - Podem esperar uma noite animada, de muita música sertaneja. Os apaixonados encontrarão motivos para reacender ainda mais o amor. Quem estiver solteiro também vai curtir nosso show, que é animado e bem pra cima. Nosso palco tem painéis de LED e deve agradar.
Comércio - Vocês mantêm a tradição do sertanejo de raiz, mesmo com a nova roupagem que algumas duplas e cantores deram ao estilo. Por quê?
Chico Rey - Porque o que gostamos de cantar é o amor puro e verdadeiro. Esse “novo sertanejo” que está surgindo canta bebedeiras e bagunça na maioria das vezes. Lógico que há exceção, mas me preocupo, porque estão fazendo coisas descartáveis. Milionário & José Rico, Tião Carreiro & Pardinho, Belmonte & Amaraí têm décadas de história e ainda são ouvidos. Não sei se essa roupagem nova vai ser duradoura.
Comércio - A dupla completou 30 anos de carreira no ano passado e comemorou com uma biografia. Qual a maior supressa dos fãs ao lerem o livro?
Chico Rey - São muitas. Temos histórias pitorescas e engraçadas de quando éramos amadores. Temos histórias tristes também, como a de quando eu tinha 6 anos e meu irmão 4 e tivemos que assumir a responsabilidade de cuidar da casa enquanto meu pai trabalhava. Minha mãe se acidentou, nós morávamos na roça e nossos pais estavam levando nossa irmã mais nova, na época com 15 dias, ao médico de carroça. O couro que prendia o cavalo se rompeu e ela teve um susto tão grande que passou a ter a idade mental de uma criança. Foi mais ou menos nessa época que começamos a cantar.