Com início marcado para as 10 horas de hoje, o júri popular da 1ª Vara de Execuções Criminais de Ribeirão Preto se reunirá para julgar o comerciante Pablo Russel Rocha, acusado de ter arrastado até a morte a francana Selma Heloísa Artigas da Silva. O crime que chocou a cidade aconteceu em setembro de 1998. Desde então o processo corre na Justiça e deve ter seu fim nesta quinta-feira. Presa ao cinto de segurança, Selma Heloísa teve o corpo dilacerado após ser arrastada pelo veículo do acusado por quase dois quilômetros numa avenida de Ribeirão Preto. A família da vítima, que é de Franca, acompanhará o julgamento no Fórum ribeirão-pretano.
O julgamento será presidido pelo juiz José Roberto Bernardi, da Vara do Júri e Execuções da cidade de Araraquara, e o promotor de Justiça José Vicente Pinto Ferreira comandará a acusação. Para compor o conselho de sentença serão escolhidos por sorteio sete integrantes da sociedade, previamente registrados pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Ainda segundo o TJ, quatro testemunhas de acusação acompanharão o Ministério Público.
O CASO
O assassinato da francana Selma Heloísa Artigas da Silva vem se arrastando desde 1998, quando o comerciante de automóveis Pablo Russel Rocha, na época com 24 anos, foi indiciado pelo crime de homicídio. Rocha teve a prisão preventiva decretada dois anos depois, mas o Supremo Tribunal Federal concedeu Habeas Corpus para que o acusado respondesse ao processo em liberdade. Desde então, vários recursos foram impetrados na Justiça pela defesa do comerciante, o que fez o processo se arrastar por quase 14 anos. O julgamento será aberto à população e deve movimentar o Fórum de Ribeirão Preto.
Na madrugada de 11 de setembro de 1998, o corpo de Selma Heloísa Artigas foi encontrado completamente desfigurado na avenida Caramuru em Ribeirão Preto. Selma era garota de programa, conhecida naquela cidade como ‘Nicole’. Jovem com 22 anos, ela estava grávida de três meses na ocasião do crime. Segundo apurado nas investigações, o empresário Pablo Russel Rocha e Nicole se desentenderam dentro do carro do acusado, uma Pajero. De acordo com a polícia, o autor teria amarrado a vítima pelo punho esquerdo usando o cinto de segurança do veículo e a arrastado por cerca de dois quilômetros. A garota morreu na hora. Dias depois do homicídio o empresário ribeirão-pretano se entregou. Ele confessou a autoria do crime, mas alegou que ‘Nicole’ teria ficado acidentalmente presa no cinto de segurança fora do veículo e após uma discussão com a jovem, ele teria saído em alta velocidade, não percebendo o fato.