Uma pesquisa divulgada este mês demonstra uma estatística assustadora: o trânsito de Franca mata duas vezes mais que o de São Paulo. Os números foram publicados pelo Instituto Sangari, em um estudo do ex-pesquisador da Unesco, Julio Jacobo Waiselfisz. Intitulado Mapa da Violência 2012, o levantamento mostra que a taxa de mortes no trânsito francano é de 23,2 para cada 100 mil habitantes, enquanto que a da capital do Estado é 11,2.
De acordo com o Mapa da Violência, foram registradas, em 2010, 74 mortes por acidentes de trânsito em Franca (em áreas urbanas e estradas que estão no limite do município), que tem população de 318.640 habitantes e frota de 181.874 veículos.
O estudo mostra ainda que o trânsito de Franca mata mais que o de outras cidades com mais de 300 mil habitantes, como Bauru e São Vicente, ficando atrás apenas de Jundiaí (veja quadro nesta página).
Jacobo diz que as mortes entre motociclistas são as que mais crescem. “O índice de violência no Brasil está crescendo muito rapidamente. Levando em conta o crescimento da frota, a tendência é que em 2015 a morte de motociclistas represente metade das mortes no trânsito. Hoje é mais de um terço.”
O presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos, Aílton Brasiliense Pires, afirma que os altos índices de mortalidade acontecem porque existe uma espécie de “pacto entre parte da população e grande parte dos governantes de deixar as coisas como estão”. Ele cita a falta de respeito pelo próximo, pressa, infrações de leis de trânsito e uso de álcool como principais indicadores da irresponsabilidade da população. Pires afirma que as esferas de governo “não dão a menor importância para a questão do trânsito e o massacre que é feito diariamente”.
O secretário municipal de Segurança de Franca, Sérgio Buranelli, foi procurado pelo Comércio durante todo dia de ontem. Ele não retornou as ligações nem respondeu o e-mail com os questionamentos da reportagem.
O MAPA
De acordo com Jacobo, o primeiro Mapa da Violência foi publicado pela Unesco, em 1998. “Todo mundo trabalhava com dados diferentes sobre morte, homicídio, violência e juventude. Então decidimos fazer um mapa.” Ele afirma que hoje o estudo serve para auxiliar políticas públicas, sendo utilizando por órgãos nacionais, como Ministério da Justiça, Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Comissão de Mulheres e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.