‘E pur si muove’, teria murmurado Galileu Galilei. A despeito de ser mítica ou verdadeira, essa frase do grande cientista italiano é hoje incontestável. A terra se movimenta e tudo no universo está em constante movimento. O problema é que não percebemos. Estamos por demais absortos no cotidiano e em nossos problemas.
Acostumados a um materialismo secular, intensificamos cada vez mais o consumo dos produtos e serviços que nos facilitem a vida. Queremos tecnologia, comidas prontas, transportes rápidos e produtos que nos tragam status e reconhecimento. Queremos o máximo possível pelo menor custo possível. É natural, faz parte do ‘jogo social’ que viemos construindo ao longo do tempo.
O problema é que estamos ocupados demais com essas conquistas. Em função disso, não percebemos que tudo tem um preço, geralmente cobrado nos pequenos detalhes que vão passando despercebidos no momento presente, mas que se avolumam no futuro, quando passam a ser notados como problemas.
É o caso dos agrotóxicos que estamos consumindo em doses cada vez mais elevadas, conforme mostrou reportagem publicada por este Comércio no domingo, 29/04. De acordo com especialistas, o Brasil é o maior consumidor mundial dessas substâncias, ultrapassando inclusive os EUA.
Como somos o número um no agronegócio mundial nos dias de hoje, é bastante lógico que consumamos uma grande quantidade dessas substâncias. Para dar conta da demanda por alimentos é imprescindível combater as pragas e aumentar a produtividade, caso contrário cairíamos no problema da escassez de alimentos, tão alardeado durante boa parte do século XIX.
O problema é que esse uso dos agrotóxicos, ainda segundo os especialistas ouvidos, está descontrolado no país, sem uma norma ou uma fiscalização mais rígida que lhe imponham limites.
As pesquisas desenvolvidas até agora não são conclusivas no que diz respeito aos problemas que esse longo e lento consumo está causando no organismo humano. Mas o que existe parece indicar o aumento na incidência de algumas doenças como má-formação genética, por exemplo. Mas o alarde por si só, não resolve. Afinal, o fato é que as produção precisa ser maximizada para atender a demanda. Diante do aparente impasse, é preciso encontrar novos caminhos. Como as árvores não crescem indefinidamente até o céu, é bom começarmos a rever ou pelo menos refletir um pouco mais sobre esses dados. O alimento, obviamente, é fundamental para nossa sobrevivência. Porém, é preciso pensar também em sua qualidade. Qual é a solução? Com a palavra, os especialistas.