Para o professor doutor João Sérgio Cordeiro, associado do departamento de Engenharia Civil da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), a utilização do combustível alternativo é imprescindível. Ele reconhece a importância do projeto desenvolvido em Franca e alerta para necessidade da criação de novas ações sustentáveis. “Desperdiçamos resíduos sólidos demais. No Brasil temos poucas ETEs e metade do país não tem coleta de esgoto. É preciso ter outra visão das necessidades no que se refere ao saneamento básico. O investimento nessa área é obrigação do poder púbico, deve ser incentivado por ele e encarado como prioridade”, destaca.
No Brasil, combustíveis alternativos como gás natural e biodiesel, por exemplo, são disponíveis, mas pouco utilizados. Para o professor da Ufscar, cada tipo de energia deve ser utilizada em cada região de forma específica, levando em consideração a logística. Para isso, é preciso que haja projetos e programas que tratem do assunto de forma mais sistemática.
O projeto da Sabesp em parceria com o Instituto Fraunhofer se destaca por duas vertentes sustentáveis: a ambiental e a econômica-financeira. Ao criar um conceito de eficiência, a empresa reduz os custos operacionais. Na questão ambiental, ao mesmo tempo em que transforma esgoto em combustível alternativo e deixa de utilizar combustíveis fósseis, minimiza a emissão de poluentes na atmosfera, o que contribui para a questão do efeito estufa.
De acordo com o superintendente da Sabesp, se a experiência for bem sucedida, além dos 49 veículos, o restante da frota da companhia também poderá ser adaptado para o uso do gás. Entretanto, não há previsão para que esse combustível alternativo seja disponibilizado aos consumidores, uma vez que a capacidade de produção será pequena em relação à frota do município de Franca, que é de cerca de 200 mil veículos.