Criatividade e tecnologia aliadas a serviço do meio ambiente trazem a Franca um projeto pioneiro no País: o de transformar o biogás - substância liberada no processo de tratamento de esgoto - em combustível veicular, o biometano. A iniciativa sustentável é uma parceria entre a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e o Instituto Fraunhofer, de Stuttgart, na Alemanha. O pedido de licenciamento já foi encaminhado à Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), está na fase de projeto e contratação de serviços para a instalação dos equipamentos. A previsão é que o combustível alternativo possa ser usado a partir de setembro de 2012. O investimento será de R$ 6 milhões.
“A Sabesp e a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Franca são referências. A relevância da nossa unidade acabou influenciando para a implantação dessa solução aqui na cidade”, afirma o superintendente Sabesp de Franca, Gilson Santos de Mendonça.
Ainda não chegou ao Brasil o depurador que captará o biogás -produzido no processo de tratamento na ETE - e o transformará em biometano, combustível que tem o mesmo poder calorífico da gasolina. O aparelho virá do exterior, já que será doado pelo Instituto Fraunhofer -maior instituição científica da Europa, com 47 centros de pesquisa na Alemanha.
Como a ETE de Franca possui uma grande capacidade de processamento de esgoto, será possível captar diariamente 2.700 m³ de biogás que, enriquecidos, com outros componentes químicos, se transformarão em 1.800 m³ de biometano - um metro cúbico de biometano equivale a um litro de gasolina. Esse combustível alternativo será utilizado, experimentalmente, em 49 dos 260 veículos que a companhia mantém na regional de Franca. Para armazenar o biometano será montado um posto de serviço na ETE. O abastecimento também será realizado no local por funcionários da própria Sabesp, que serão capacitados.
De acordo com Mendonça, a viabilidade financeira do projeto é comprovada pela economia. Um levantamento da companhia revela que as despesas com gasolina e álcool, referentes aos 49 veículos que serão utilizados no projeto, são de R$ 300 mil por ano. O novo posto de serviço acarretará custos operacionais na ordem de R$ 170 mil. A economia real, de acordo com a Sabesp, será de R$ 130 mil por ano.
Para o superintendente, a experiência será proveitosa. “A finalidade é pensar na sociedade. A empresa sendo cada vez mais eficiente proporciona um serviço de maior qualidade e a um custo menor. O fato da empresa estar buscando alternativas para reduzir despesas significa que ela tem uma preocupação social para que, no futuro, o cliente possa pagar menos pelo serviço prestado”.
O Instituto Fraunhofer já aplicou o projeto em outros quatro países: Holanda, Noruega, Suíça e Suécia. O objetivo é diminuir a emissão de gases poluentes, contribuindo para a redução do efeito estufa. “Evitar a emissão de gases, principalmente o dióxido de carbono, é uma questão ambiental que preocupa o mundo”, observa o superintendente da Sabesp.