08 de julho de 2026

Espaço kids


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Donos de bares e restaurantes, visando a fidelizar a clientela e aumentar lucros, agregam ao seu comércio uma terceira atividade nada específica. Em seus estabelecimentos, muito embora em separado, oferecem área destinada à recreação das crianças que acompanhem seus pais. Trata-se de espaço equipado com variadas atrações lúdicas, sob a proposta de entreter os infantes.

Assim, pais que desejarem ‘curtir’ a noite não terão com o que se preocupar. Ali mesmo, onde se divertem, embora em dependência apartada, haverá alguém cuidando de seus rebentos. Ótimo para o comerciante, bom para os pais, mas péssimo para os filhos.

Que não nos iludamos! A adoção de tal expediente pode permitir divertimento aos genitores, mas nunca recrear as crianças, para as quais tal prática chega a ser nociva. Como já dizia minha avó, D. Laurinda, com a experiência que lhe deram a idade e a criação dos seus 12 filhos: ‘criança deve dormir cedo e levantar cedo’.

Submeter a sensibilidade da criança a um ambiente estressante de música e vozerio ostensivos e à mudança do horário de dormir é absolutamente condenável.

Acresça-se que, em tais circunstâncias, estarão elas submetidas à ideia de que divertir-se é consumir bebidas, ainda que, particularmente, os pais se abstenham de fazê-lo. É que o exemplo vindo de adultos é sempre influenciador da personalidade em formação.

Além disso é prudente considerar-se a constituição fluídica do local, posto que ambiente de prazer dos consumidores de bebidas alcoólicas é assistido por um mundo invisível igualmente ávido do ‘benefício’ das respectivas emanações etílicas. Sob tais situações é que as pessoas recebem, na maioria das vezes, determinante influenciação espiritual de viciações, independentemente das idades dos frequentadores, afetando mais facilmente as crianças cuja estrutura psíquica é ainda indefinida.

Soma-se a isso que a alteração de horário dos hábitos e costumes, por si só, já é fator de irritação na criança. Alterando-lhe o humor, torna-a chorona e desejosa de voltar incontinenti para casa. Ainda dia destes, numa comemoração, presenciamos o desconforto de um menino de aproximadamente 5 anos que, depois de muito insistir para ser levado para casa, vencido pelo sono, dado ao avançado da hora, deitou-se sobre uma mesa e dormiu, em sono seguramente intranquilo.

Alguém questionará: ‘mas, os pais não têm o direito de divertir-se?’ Claro que têm. O que não têm é o direito de descuidar da formação tranquila e segura dos filhos que ninguém lhes obrigou a conceber. Aos pais cabe o ônus da preocupação de fazerem dos filhos pessoas normais e sem as viciações que lhes prejudiquem a saúde física e moral.

Criar filhos impõe renuncia, daí ser primário o entendimento de que o que engrandece os pais é o cumprimento da sagrada missão outorgada pelo Senhor da Vida de contribuir para a evolução das almas que lhes são confiadas. .

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca