09 de julho de 2026

Sobre poesia, poeta e poemas


| Tempo de leitura: 3 min

Os poetas constroem poemas desde que o mundo é mundo. Porque poesia sempre existiu.

A substância da poesia são os sentimentos. Ao olhar o mar, Manuel Bandeira ficou impressionado como o vai e vem das ondas e, tomado pela emoção do que via, escreveu o poema A Onda. Cecília Meirelles estava num jardim florido quando começou a chuviscar e, emocionada por aquele momento, escreveu o poema As duas chuvas. Mario Quintana tinha por vi-zinho um menino doente, que não podia sair de casa. Comovido com este fato, criou um poema chamado Na minha rua, onde conta esta história. Leia em voz alta estes poemas (estão ao lado, no varal) para ver como ficam mais bonitos. Perceba como eles têm musicalidade. Poesia também é música.

A forma do poema é diferente da prosa.

Não é como recado, e-mail, carta, notícia de jornal. Todo poema é composto por versos. Cada linha é um verso. O poema A onda tem 9 versos. Duas chuvas tem 12 versos. Na minha rua tem 14 versos. Os mais antigos poemas de que a gente tem notícia são os épicos, também conhecidos por epopeia, uma narrativa com informações históricas. Épico e epopeia têm a mesma origem, são palavras irmãs. Podemos notar isso no comecinho de cada uma: ep. Esse sufixo ep vem da palavra grega epos, que significa canto. Os primeiros poetas contavam histórias de seu povo e os poemas eram escritos de forma a serem cantados.

Com o passar do tempo outros tipos de poemas foram aparecendo. Mais curtos, com assuntos diferentes, com rima e sem rima, com ritmo marcado ou falado como na linguagem coloquial, que é aquela com a qual nos comunicamos. Mas uma coisa é bem característica da poesia de nosso tempo: a concisão. Concisão significa dizer muitas coisas com poucas palavras. Um poema faz isso, conta muitas coisas com poucas palavras e desperta emoções diversas nos leitores. Veja como a escritora Kátia Canton definiu poema em O que é poesia?


O que é poesia?
Katia Canton

Poesia é coisa pra se fazer todo dia
quer você queira ou não.
É cair na tentação
de pegar a alegria pela mão
abraçar o vento
beijar na boca do tempo
sair flutuando pelo cimento
ser rápido e lento
ao mesmo tempo.
Poesia é sempre boa companhia
é um jeito de enxergar o horizonte
perceber a lua, o chão, uma fonte.
É construir na imaginação
uma ponte,
que liga as pessoas ao coração.

Katia Canton nasceu em São Paulo em 1963. É jornalista, poeta e prosadora, ou seja, faz poemas e escreve histórias. Tem muitos cursos de especialização no Brasil e no Exterior. É autora de mais de 40 livros infantis

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A onda
Manuel Bandeira

A ONDA
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
a onda onda

Manuel Bandeira (1886-1968) nasceu no Recife e morreu no Rio de Janeiro. Sofreu desde a juventude de uma doença chamada tuberculose, que afeta os pulmões. Estudou arquitetura mas preferiu ser escritor. Seus versos têm como marcas a musicalidade, a ternura e a delicadeza.

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Na minha rua
Mario Quintana

Na minha rua há um menininho doente
Enquanto outros partem para a escola,
junto à janela, sonhadoramente,
ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente,
que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente
o sofrimento que ele tem se evola

Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente...
E está compondo este soneto agora,
pra alminha boa do menino doente.

Mário Quintana nasceu em Alegrete, em 1906, e morreu em Porto Alegre, em 1994. Ambas são cidades do Rio Grande do Sul. Foi tradutor e poeta. Seu livro A rua dos cataventos obteve grande repercussão quando lançado e conquistou o público infantil de imediato.

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Chovem duas chuvas
Cecília Meirelles

Chovem duas chuvas:
de água e de jasmim
por estes jardins
de flores e nuvens

Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins
de flores e chuvas

E os jasmins são chuvas
e as chuvas jasmins
por estes jardins
de perfume e nuvens

Cecília Meirelles nasceu no Rio de Janeiro em 1901 e morreu nesta mesma cidade em 1964. Publicou os primeiros poemas aos 18 anos. Foi professora, jornalista, poeta. Seus poemas são muito plásticos, o que quer dizer descritivos, visuais.