Pauta fraca, projetos de interesse interno, preocupação com a reeleição. A sessão de ontem da Câmara foi de dar sono. O marasmo foi tanto que dois vereadores foram embora logo no começo. Outros passaram a maior parte do tempo fora do plenário. A reunião durou apenas duas horas. De prático, a aprovação da proposta que reduz o tempo para o registro do voto e a que prioriza o uso de cópias digitais de documentos internamente.
Quando a votação ainda era feita por meio do microfone e obedecia a chamada oral, os vereadores tinham dois minutos para votar. Com a implantação do painel eletrônico, ocorrida há pouco mais de um ano, o tempo foi reduzido para um minuto e meio. Ontem, o prazo foi encurtado para um minuto.
A proposta foi apresentada pelo presidente Válter Gomes (PSB). Ele justificou que os vereadores estão adaptados ao sistema de voto pelo computador e que não é preciso de tanto tempo para apertar a tecla e se manifestar se é favorável ou não ao projeto. “Tenho percebido que o vereador que está atento, que está no plenário e participa efetivamente das discussões, vota em 20 ou 30 segundos. Muitas vezes, temos de ficar esperando o prazo acabar e o tempo é desperdiçado. A intenção é usar um pouco melhor estes 30 segundos.”
A redução do tempo não significa, necessariamente, que as sessões vão ficar mais ágeis. O prazo de 15 minutos que os vereadores têm para discutir os projetos não foi alterado. “O que está sendo reduzido é o tempo para o vereador apertar o botão. Se é sim ou não”, explicou Silas Cuba (PT). Laércinho (PP) e Jépy Pereira (PSDB) não ficaram até o final.
A medida, que deverá entrar em vigor na próxima semana, certamente, será um transtorno para os vereadores que ficam nos corredores ou gabinetes e que voltam correndo para o plenário quando o projeto é levado à votação.
Ainda na reunião de ontem, os vereadores aprovaram proposta de Joaquim Ribeiro (PSB) que dá preferência ao uso de cópias digitais de documentos na Câmara em substituição a papéis, fotocópias, transporte e postagem. A medida já é adotada na prática. A distribuição da pauta com os projetos a serem votados, que era feita por meio de calhamaços de papel, há cerca de dois anos, ocorre de maneira digital.
O projeto de autoria da Mesa Diretora, que tratava da mudança no regime jurídico dos cargos dos servidores do Legislativo, foi adiado por uma sessão.
TELEVISÃO
O presidente Válter Gomes viajará para São Paulo nesta quarta-feira. Ele assinará um convênio com a Assembleia Legislativa para que a Câmara possa fazer uso de um canal aberto na TV. Atualmente, as sessões são transmitidas por um canal fechado e pela internet. “Além dos eventos que ocorrem internamente, temos a intenção de divulgar as campanhas educativas do próprio Executivo.”
Não há prazo para que programas comecem a ser transmitidos.