10 de julho de 2026

Nocera conta prazo para registrar chapa; eleição será em 16 de maio


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Paulo Nocera em sua casa; ele quer ser presidente do Franca Basquetebol

O Conselho Deliberativo do Franca Basquetebol Clube se reúne no próximo dia 16 de maio para a eleição de uma nova diretoria. Faltando dez dias para o pleito, apenas um candidato se apresentou, publicamente, para concorrer ao posto de presidente: Paulo Nocera Alves. Francano, 56 anos, gerente de banco aposentado, ele só não é oficialmente candidato porque ainda não inscreveu sua chapa. “Como ainda estamos na fase de contatos e o edital prevê até o dia 14 de maio para a realização da inscrição, vamos aguardar para definir os nomes que farão parte da nossa diretoria. Queremos nomes fortes e já estamos trabalhando para isto”, justificou o bancário, antes de prometer divulgar a lista até a próxima sexta-feira.

Gerente de banco aposentado, Nocera é o atual presidente do Conselho Fiscal do Sindicato dos Bancários de Franca e região e vice-presidente do Franca Basquete. Nocera não esconde o desejo de ser presidente do clube. Experiência, ele possui. Sócio torcedor desde 1999, em 2008 foi convidado a assumir como diretor-financeiro na chapa do presidente eleito naquele ano, Fransérgio Garcia, irmão do técnico Hélio Rubens Garcia. Hoje, ele é o atual vice-presidente e conhece “onde pisa”.

Uma das perguntas que ele mais ouve é, se eleito, qual sua atitude em relação ao atual treinador do elenco. Hélio Rubens Garcia já não goza do mesmo prestígio, principalmente em relação a parte dos torcedores. Até a imprensa tem contestado suas decisões técnicas. “Vamos conversar. Ele falará da vontade dele e então tomaremos uma decisão. Perder um baluarte da grandeza do Hélio nós não podemos, mas ficará a cargo dele expressar e cumprir seu desejo, já que ele tem propostas de outros clubes”, explicou, sem revelar se haverá ou não uma “limpeza” no elenco.


Comércio da Franca - O senhor foi diretor-financeiro e hoje é o vice presidente do Franca Basquete. Algum dia, sonhou em ser diretor do clube?
Paulo Nocera Alves -
Não esperava chegar à direção do basquete. As minhas aspirações ao longo da vida foram gradativas. Mas depois do convite para ser diretor-financeiro, foi aflorando algo mais, fui tomando liberdade, conhecendo o clube. Sou torcedor, mas no passado fui torcedor fanático de, se precisar, brigar. Mas conheci o capitão (Roberto Carlos Bispo) Severo, que era comandante do policiamento na área do Poliesportivo. Fizemos amizade e passei a ter vergonha de começar a brigar, xingar. Mas só 50% (risos). Quando virei diretor financeiro fiquei “mudo”, porque eu vi que não era assim que um torcedor deve agir, que eu tinha que dar o exemplo, administrar, e acalmar os outros.

Comércio - O que encontrou ao assumir a diretoria financeira do clube?
Nocera -
Quando assumimos, o clube acumulava dívidas de R$ 245 mil. Foram 24 meses trabalhando, economizando, para conseguir zerar o caixa. Quando passamos o cargo para a atual gestão o caixa estava zerado.

Comércio - Porque aceitou o convite para ser vice-presidente em 2010?
Nocera -
Eu queria era continuar na diretoria. Quando você faz um trabalho de dois anos e coloca a casa em ordem, você sente que tem alguma coisa para doar ao clube e não podia deixar que ele decaísse novamente. Eu senti que seria útil na nova diretoria.

Comércio - Mas o senhor foi mais atuante depois que assumiu a vice-presidência?
Nocera -
Por questões administrativas, questões de poder, de mando, gestão, na outra diretoria (presidida por Fransérgio Garcia ) eu fui mais atuante. Com o novo presidente (Luís Carlos Teixeira) houve até um afastamento natural, mas continuei colaborando no que estava ao meu alcance. Acho que poderia ter contribuído mais, mas não tive o espaço necessário para me desenvolver.

Comércio - Por qual motivo não pode ser mais atuante nestes dois últimos anos?
Nocera -
O atual presidente tem um tipo de administração que faz com que a gente se afaste um pouco ...

Comércio - Em fevereiro, o Comércio da Franca revelou que o senhor almejava ser presidente, mas que só tomaria esta decisão se tivesse apoio. O apoio foi concretizado?
Nocera -
O apoio veio. Minha mulher e meu filho acreditam no meu ideal, que é poder contribuir com nosso clube, administrar com transparência e responsabilidade. Além disso, tivemos pessoas do clube que se manifestaram a favor do nosso nome.

Comércio - O senhor é candidato publicamente e não oficialmente. Quando pretende oficializar a chapa?
Nocera -
Como ainda estamos na fase de contatos e como o edital prevê até o dia 14 de maio para fazer a inscrição, vamos retardar esta inscrição até o dia 11. Só aí vamos definir os nomes da diretoria. Nós queremos nomes fortes e já estamos trabalhando para isto. Hoje, eu posso afirmar que tem mais de dez pessoas junto comigo. Quanto mais pessoas do nosso lado, ajudando, e comprometidas com o basquete, melhor.

Comércio - E qual será o cargo do Saulo Pucci, diretor do Grupo Amazonas, em sua chapa?
Nocera -
Ele deixou em aberto para que eu escolha o cargo. Ele pode ser vice. O Saulo é uma pessoa imprescindível na nossa diretoria e até dia 11 de maio já teremos tudo formatado.

Comércio - Como estão as finanças do clube hoje?
Nocera -
31 de maio será o dia da posse. Neste dia, o Teixeira dará explicações sobre a transição e as finanças.

Comércio - Mas o senhor não acompanha esta questão?
Nocera -
Acompanho superficialmente. O presidente e o diretor financeiro (Ângelo César Shieregato) estão mais ligados a esta área. Não estou completamente aprofundado no assunto, porque, como já disse, não atuo como gostaria.

Comércio - O basquete, como esporte, decaiu em Franca?
Nocera -
Antigamente todos sentiam prazer em ir aos jogos por causa da hegemonia do Franca Basquete. Todos queriam vir jogar aqui. Hoje, eu noto que há uma equiparação dos times. Os outros clubes se basearam no conceito de Franca, perceberam como era importante o basquete. Muitos conseguiram patrocínio maior porque estão em centros maiores. O basquete de Franca não decaiu. Foram os outros que se igualaram.

Comércio - E o planejamento para a próxima temporada?
Nocera -
Estamos em fase de montagem da chapa. Sendo eleito, já no dia 17 iremos ratificar um planejamento.

Comércio - Os americanos Kevin Sowell e Basden continuam no time?
Nocera -
Os americanos, por força de contrato, terão que ir embora porque acabou a participação do time no NBB e não podemos arcar com despesas tão altas. Mas após a eleição e, junto com o treinador, vamos analisar a possibilidade e viabilidade de mantê-los.

Comércio - Hélio Rubens continuará à frente do comando técnico?
Nocera -
O Hélio é reconhecido nacional e internacionalmente. Ele goza de muito prestígio. Vamos conversar para ver a situação dele. Ele falará de sua vontade e então saberemos que atitude será a nossa. Perder uma figura como o Hélio nós não podemos, mas ficará a cargo dele como deseja continuar, já que inclusive tem propostas de outros clubes.

Comércio - Pensa em mudanças no clube, cortes no time?
Nocera -
Vamos mudar algumas coisas sim. Mas a prioridade é pensar na montagem de um time para a disputa do Paulista e temos pouco tempo para isto. Mas vai depender da nossa eleição.

Comércio - E os patrocinadores?
Nocera -
Temos ao nosso lado algumas empresas que gostam e são amantes do basquete, que não vão medir esforços para o bem do esporte. Com relação a Vivo, vamos mostrar nosso plano de trabalho que inclui a continuação do contrato até 2014 como está previsto.

Comércio - Novos atletas serão contratados?
Nocera -
Vai depender dos empresários que estarão conosco.

Comércio - O que esperar do presidente Nocera, se eleito?
Nocera -
Uma das ideias é aproximar o clube daqueles que mais se identificam com ele, ou seja, sua própria torcida. Pensamos em assumir a presidência para administrarmos o clube com responsabilidade e transparência.