Como os problemas insistem em se repetir, é função do jornalismo continuar a repercuti-los para que todos os cidadãos possam ter mais subsídios para analisá-los e deles tirarem suas próprias conclusões.
Mais uma vez, a Prefeitura de Franca prepara um concurso público para preencher a falta de médicos na cidade. Em oito anos, esse já é o sétimo concurso e a Secretaria de Saúde estima que ainda faltem aproximadamente 75 médicos na rede pública.
Obviamente, alguma coisa deve estar errada. Ou o Cremesp está equivocado em sua avaliação e está faltando cursos de medicina no Brasil, já que esse não é um problema restrito a Franca ou região, ou o problema está nos salários oferecidos pela rede.
Como já dissemos nesse espaço, médico é uma profissão diferenciada, mesmo que não o seja de forma clara e assumida. Essa diferenciação já começa na faculdade. Alunos de medicina se diferenciam no campus, seja pelo branco de suas vestes ou pelo orgulho ostentado em seus sorrisos. Também os vestibulares para medicina se diferenciam em relação aos que selecionam para outras profissões.
Gostemos ou não, os médicos possuem um status diferenciado em nossa sociedade. Sua remuneração, de forma geral, é uma das melhores entre as várias profissões que conformam o tecido social, talvez por lidar com a vida humana, sempre nos limites entre a cura, a vida e a morte.
De imediato, tende-se a acreditar que o problema não esteja na falta de médicos. Segundo dados do Conselho Federal de Medicina, o problema está na distribuição desigual desses profissionais pelo país. No caso da região sudeste, porém, a proporção de médicos por habitantes se iguala a de países europeus.
Resta, então, acreditar na falta de interesse dos médicos pela rede pública de saúde, já que todos os cursos estão repletos de alunos. Para um estudante que vai investir entre R$ 4 ou 5 mil por mês em um curso com duração de 6 anos, o salário de R$ 3.221,38 oferecido pela cidade não parece nada atraente. Ao contrário, está bem aquém do que sonha um estudante de medicina ou espera um médico formado, sobretudo em uma sociedade que parece querer apressar cada vez mais nossas conquistas por meio da intensidade do consumo.
Se esse raciocínio estiver correto, resta ao poder público apenas um caminho, uma vez que precisa cumprir a Constituição e zelar pela saúde de seus cidadãos: aumentar o salário dos médicos.
Qualquer outra ação será provisória e apenas paliativa. Por natureza, o sistema capitalista regula-se pela lei da oferta e da procura. Se há poucos médicos, então o salário e as condições de trabalho na organização pública precisam ser mais interessantes para atrai-los.
Se em oito anos os concursos não conseguiram resolver o problema, não será agora que o fará.