Morreu na madrugada do dia 30 de abril no Hospital Regional, Valdete de Souza Isaac, reconhecida regionalmente por incontestável competência como doceira. Tinha 71 anos. Esteve internada por 9 dias, fase final de longa – e dolorosa – convivência com diabetes que fez definhar seu organismo e conduziu à morte por falência múltipla de órgãos.
Era natural de Ibiraci (MG), filha de João Batista de Souza Neves e Cecília Vitoriano de Souza. São seus irmãos, Itamar, Ana Joaquina (falecida), Maria Aparecida, Terezinha, Lourdes e Ângela. Nos anos 60, morando em Passos (MG), casou-se com Silvio Isaac do Nascimento. Dedicava-se à costura. O casal se mudou para Franca no início dos anos 70 e, nesta cidade, continuou confeccionando roupas, conquistando boa clientela.
Não era a costura seu único talento. Dentre tantos – segundo diz sua família – Valdete tinha também ‘mão boa para a cozinha, especialmente em doces’. Sempre os fazia para consumo da própria família, mas, de quando em quando, a pedido de suas clientes de costura, produzia um pouco mais, ‘para as amigas’, como falava.
A atividade prosperou. Segundo sua irmã Terezinha, Valdete acabou tendo que dividir seu tempo de trabalho. Além das peças de vestuário, passou a dedicar mais tempo ao fogão e aos doces, já que os pedidos se avolumaram. Ela tomou gosto e, aos poucos, deixou de costurar. Doces se transformariam na atividade principal dela em poucos meses. ‘Abriu firma, deu-lhe o nome fantasia Doces Valdete e seguiu em frente. Não parou mais. Foram 42 anos intensamente trabalhados. Ela se tornou uma doceira referencial e seus doces cristalizados chegaram até o Paraguai, levados, primeiro, pelo florista Liliko – que produziu eventos naquele país em épocas passadas – e, depois, em encomendas daqueles que tinham provado as delícias que ela fazia’, disse Terezinha.
Aliás, esta sua irmã trabalhou por 25 anos com ela, atuando como secretária, vendedora nos tempos áureos e cuidadora, nos últimos tempos. Valdete empregou muita gente da família. Emocionada, Terezinha contou que sua irmã, além de doceira muito requisitada, foi a pessoa mais solidária que já conheceu. “Ela jamais disse não a ninguém. Lançava mão de seu próprio dinheiro para auxiliar pessoas com problemas. Mesmo quando não tinha, pegava para si a situação daqueles de quem gostava e se virava. Nunca deixou ninguém sem resposta. Teve problemas financeiros que resolvia trabalhando mais e mais. Perdeu muito de sua saúde em função disso, mas nunca deixou ninguém que dela tenha se aproximado, sem solução”.
Essa realidade ficou patente. Valdete trabalhou até antes de sua internação. Estava feliz por ter recuperado parte de sua visão – perdida em função do diabetes – após cirurgia recentemente feita, mas já não tinha estrutura física, seja pela idade, seja pelas consequências da doença, para seguir em frente.
A loja de seu endereço tradicional na rua Ouvidor Freire foi fechada há dois anos. Seus doces continuaram a ser produzidos em pequena escala até poucos meses e, agora, serão apenas saudade. Ela foi velada no São Vicente de Paula e o sepultamento aconteceu no mesmo dia 30 de sua morte, no Cemitério Santo Agostinho.