07 de julho de 2026

‘Pitada de sorte’


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É bastante comum ouvirmos que determinada pessoa tem muita sorte, pois já ganhou diversas vezes na loteria e toda rifa que compra acaba sendo sorteada. Ouve-se, também, com igual frequência, que fulano é um azarado, vive em constante infelicidade, tudo o que ele tenciona fazer não vai prá frente. Vive em permanente inferno astral.

Comecei então a me indagar: o que vem a ser sorte? E azar? Existem realmente? Sendo eles realidades na vida das pessoas, de onde se originam?

Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda: sorte, substantivo feminino, ‘é a força que determina ou regula tudo quanto ocorre e que se atribui ao acaso ou a uma suposta predestinação. Destino, sina’. A mesma fonte define azar, substantivo masculino, como sendo ‘caiporismo (infelicidade constante). Revés. Infortúnio. Casualidade, acaso’.

Evidente que o sucesso em qualquer iniciativa depende, basicamente, da dedicação, da competência, da determinação e do esforço empregados. Porém é inegável que algumas pessoas, por razões desconhecidas, acabam sendo mais afortunadas do que outras. Ninguém ousará negar.

Para os místicos, a sorte e o azar podem ser facilmente explicados – por exemplo – pela astrologia, ou mesmo pela numerologia. É certo que muitos não colocam o pé fora de casa ou iniciam qualquer negócio sem antes consultar as previsões do seu signo. Também são incontáveis os desportistas ou artistas, por exemplo, que mudaram o nome, acrescentado ou tirando letras, recomendados por numerólogos. Vários afirmam que a mudança alterou favoravelmente o rumo de suas vidas.

No esporte, é bastante comum um atleta realizar uma jogada aparentemente equivocada e ela, surpreendentemente, acabar sendo exitosa, decidindo a partida ou mesmo o campeonato. Nesse caso afirma-se que foi um lance de sorte. Porém, ao contrário, outros realizam uma jogada espetacular, perfeita, mas que bate na trave, ou no aro, ou na rede, sem qualquer resultado prático. Diz-se, então, que foi um lance de azar.

Também no mundo dos negócios, temos ocorrências semelhantes. O caso dos adolescentes criadores do Facebook, por exemplo. Eles nunca imaginariam que construiriam um império econômico com uma iniciativa juvenil despretensiosa.

A ciência não consegue explicar a sorte e o azar. A religião, muito menos. Atribui sucesso ou fracasso aos dons divinos, ou à lei da semeadura: colhe-se aquilo que se plantou.

Afinal de contas, ‘o sol nasce sobre a cabeça dos bons e dos maus e a chuva sobre a cabeça dos justos e dos injustos’.

Óbvio e evidente que vocação, dom, esforço, dedicação, transpiração e inspiração são matérias primas fundamentais para o sucesso em qualquer ramo da atividade humana.

Mas sejamos honestos: o sucesso, os objetivos e as metas serão alcançados com mais facilidade, se temperados com uma boa ‘pitada de sorte’. Contestem-me, se quiserem e puderem.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca