Ao contrário do campo, as cidades são espaços do barulho e dos ruídos. Conforme vão crescendo, os períodos de silêncio vão se encolhendo cada vez mais, resumindo-se a pequenos momentos da madrugada. E como as pessoas vivem mais próximas umas das outras, é necessário aprender a conviver com esses barulhos. Ruído de motores, música alta nos bares e restaurantes, som alto nos carros, buzinas, shows, carros de som, rádio e televisão bombardeiam nossos ouvidos durante todo o dia e boa parte da noite.
Porém, há um limite para tudo. Ninguém pode sair por aí incomodando as pessoas com seus ruídos ou sons particulares. Em função disso, várias leis federeais, estaduais ou municipais foram criadas para tentar coibir os exageros e proteger o direito daqueles que querem um pouco mais de paz e sossego. Conhecidas pela expressão ‘Lei do Silêncio’, buscaram colocar restrições objetivas para a geração de ruídos durante o dia e a noite, em especial no caso de bares e casas noturnas.
Em Franca, no entanto, parece que essas normas não estão funcionando muito bem. Se já não bastassem os folgados que estouram o som de seus carros em plena via pública e os bares e restaurantes que exageram no volume de seus estabelecimentos sem os necessários cuidados com o isolamento acústico dos mesmos, agora também as igrejas começam a entrar no rol dos espaços que incomodam a tranquilidade pública.
De acordo com o matéria publicada por este Comércio no sábado, 21/04, a Igreja Mundial do Poder de Deus, localizada na Rua Voluntários da Franca, estaria importunando os vizinhos com o som alto durante as pregações e os cânticos.
A despeito do direito de todos os cidadãos a professarem suas crenças, se divertirem nos bares ou ouvirem suas músicas em seus próprios veículos, é indispensável que nossas autoridades comecem a intensificar a fiscalização e a punição aos transgressores do silêncio.
Apesar de sermos uma democracia recente em termos históricos e de ainda não termos nos acostumados devidamente aos direitos e deveres que norteiam a vida nas cidades, já está mais que na hora de começarmos a aprender o que é viver em sociedade.
As pessoas precisam compreender que seus direitos vão até onde começam os dos outros. Quem gosta de ouvir música em um volume mais alto, que se utilize de um fone de ouvido ou se tranque em algum lugar acusticamente tratado. Quem quiser dar uma festa, fazer um show ou montar um bar com música ao vivo que o faça com o devido tratamento de som, sem perturbar aqueles que estão próximos e que preferem curtir o silêncio da noite.
E quem quiser rezar, que também não exagere no volume. Até porque, para quem acredita, Deus ouve o silêncio do coração. Não é preciso gritar.