A matéria principal do Clubinho, neste número, é sobre a origem das cidades. Em certa altura do texto principal, somos informados de que no final da era neolítica, ao polir a pedra e transformá-la em objeto para cortar e arma e se defender, o homem descobriu que poderia domesticar alguns animais. Dentre estes, um dos que foram domesticados e se mostraram de grande valia foi a cabra. Até hoje, nos lugares mais inóspitos, ela é bicho importante à sobrevivência humana. Podemos vê-la nos desertos, em montanhas íngremes, em regiões de seca. Muito resistente, ela procura seu próprio alimento até entre pedras e fornece um leite delicioso, além de carne, lã e pele, com as quais se fazem roupas e bolsas. O ambiente preferido pelas cabras são as montanhas, geralmente em zonas de clima temperado. A alta altitude, aliada aos pulmões desenvolvidos dos bodes, e à grossa pelugem que os protege do frio, permite a sobrevivência em um local protegido de qualquer tipo de predador.
Os caprinos que foram domesticados pelo homem são descendentes da espécie Bezoar, encontrada no Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio, nos territórios do Crescente Fértil, do qual falamos nas páginas 4 e 5 deste caderno. Na maioria das raças de caprinos, os dois sexos, cabra e bode, têm chifres e barba. Os chifres podem ser curvos ou em formato espiral, mas muitos têm um lado interno afiado. O pelo pode ser comprido ou curto, macio ou áspero, dependendo do habitat e do controle da criação. A cabra procria em 150 dias. Os filhotes são popularmente chamados de “cabritos”. A expectativa de vida é de vinte anos. Eles emitem um som chamado “balido’ que soa como “mééé”... O coletivo para chamar uma reunião de cabras é “fato”.
No Nordeste brasileiro, o bode e a cabra são preciosos ao sertanejo, especialmente em tempo de seca. Com a carne desses animais é preparado um prato típico chamado “buchada de bode.” Muitos nordestinos, inclusive o presidente Lula, dizem adorar. Mas há aqueles que não suportam, porque tem gosto e cheiro muito fortes.