08 de julho de 2026

Festival estudantil


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Os festivais estudantis nunca pararam completamente. Porém, já não são mais o que foram um dia. Houve épocas em que o país literalmente parava. Nos anos de 1960, as disputas eram acirradas e as vaias e os aplausos se misturavam nas plateias enlouquecidas.

Havia festival de teatro, festival de música e festival de cinema, mesmo sem as facilidades do videotape ou do DVD. Os filmes eram rodados em Super 8, editados com fita adesiva, determinação e muita criatividade. Nesses festivais, surgiram muitas revelações, artistas que hoje estão consagrados e que obviamente um dia foram totalmente desconhecidos do grande público.

Infelizmente, porém, esses festivais foram rareando aos poucos. Sobraram alguns deles, espalhados em poucas cidades brasileiras. Paralelamente, os jovens foram deixando de compor suas músicas, escrever seus poemas, montar suas peças teatrais ou editar seus filmes. É verdade que o You Tube representa hoje um excelente espaço para a divulgação de filmes caseiros ou produzidos com poucos recursos, mas infelizmente não tem o mesmo glamour de um festival.

Nesse sentido, o sucesso desse 1´ Festival de Música Estudantil, realizado pela Feac (Fundação Esporte Arte e Cultura), com apoio da rádio Difusora AM 1030 KHz, deveria ser bastante comemorado pela comunidade francana. Apesar de poucas músicas inscritas, apenas 17, podemos pensar que esse foi um excelente recomeço e que outros poderão surgir com mais força a partir desse primeiro.

No mundo de hoje, que aparentemente oferece inúmeras possibilidades de lazer e entretenimento para os nossos jovens, o que estamos assistindo na realidade é uma verdadeira avalanche de festas, raves, bares e baladas, tudo isso regado a drogas e bastante bebida, algo que naturalmente vem causando muita preocupação aos pais, às autoridades e, de forma geral, a toda a sociedade.

Obviamente, a generalização é mais retórica que real. Há jovens com outras preocupações, que se divertem de forma mais tranquila e sadia. As pesquisas, entretanto, mostram que os jovens começam a beber cada vez mais cedo, que as mortes por acidentes entre eles estão aumentando e que muitos estão se perdendo no mundo das drogas.

Quem sabe, a volta dos festivais não poderia contribuir um pouquinho para equilibrar essas tendências. Afinal, a arte é um excelente caminho para refletir sobre o mundo, para melhorar nosso autoconhecimento e também para expurgar nossos fantasmas.

E tudo isso sem contraindicações.