08 de julho de 2026

Mau exemplo


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A reforma administrativa do Senado parece que não vai dar em nada. Depois de quase três anos de projetos, consultorias e discussões, todo o trabalho desenvolvido está indo para o ralo, para onde, aliás, vai boa parte de nossos impostos que por ali transita.

Tudo começou em 2009, depois que o jornal O Estado de São Paulo divulgou uma série de reportagens que mostravam os usos e abusos de senadores e funcionários do Senado, inclusive do presidente da Casa, o senador José Sarney. Mais uma vez, porém, nossos parlamentares resolveram insistir no péssimo exemplo que têm dado ultimamente a nossa população.

Obviamente, é um grande desserviço à democracia. Decepcionada com tantos desmandos e bandalheira, a maior parte da população que não é muito politizada, e que também já não percebe muita serventia nesse ineficiente parlamento, vai aos poucos tomando ainda mais asco da democracia, da política e de seus engravatados protagonistas.

Se analisarmos mais detidamente, dá até a impressão de que tudo não passou de um grande teatro, uma encenação de gala, dirigida com maestria pelo galhardo maior de nossa política, o ‘imortal’ José Sarney, com direito até mesmo à contratação de consultoria da Fundação Getúlio Vargas, uma das melhores escolas de gestão desse país.

O próprio senador Ricardo Ferraço, autor de um dos relatórios rejeitados pela Comissão, achou a situação irreal. E ponha irreal nisso! Segundo ele, o salário mais baixo dos servidores do quadro efetivo supera a casa dos R$ 10 mil e, pasmem caros leitores, não raro o favorecido não tem nenhum tipo de especialização que explique esse montante, totalmente desproporcional ao que é pago pelo mercado.

No total, o Senado gastou no ano passado R$ 3,3 bilhões, um orçamento nada modesto, diga-se de passagem. O principal dessa verba foi para pagar pensões, aposentadorias e os salários de mais de 6 mil funcionários, entre efetivos e comissionados. Entre esses últimos, estão os 77, isso mesmo, 77 servidores que estão a serviço de cada um dos 81 senadores.

A proposta do senador Ferraço previa uma redução de 30% nos contratos de terceirização e avançava bastante no que diz respeito ao número de servidores comissionados, limitando-os em 25 para cada gabinete.

Infelizmente, porém, os senadores preferiram continuar com a farra mais fácil no distante planalto central. E o pior é que esse ‘sepultamento’ da reforma também foi aplaudido por servidores que se encontravam na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Garantidos por salários irreais e por bom plano de saúde que lhes permite apenas trabalhar para o Estado, sem ter que utilizar seus serviços, esses servidores apenas nos mostram que o problema é mais embaixo. Não são apenas os políticos, mas sim toda a sociedade.

Afinal, o regime é representativo. Eles são a nossa cara.