08 de julho de 2026

Alunos e professores se tornam reféns da violência


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Umas das entradas da Escola “Professor Otávio Martins” parece abandonada: muro pichado e alambrados quebrados retratam a realidade das instituições de ensino

Agressões físicas, desacato, ameaças, furto, consumo de drogas, depredações e até incêndio. As características do submundo do crime ultrapassaram os muros das escolas e fizeram a educação pública refém. Em Franca, casos recentes mostram que infrações cometidas por estudantes estão cada vez mais frequentes e têm se tornado casos de polícia. Nem mesmo a instalação de sistema de alarmes, muros altos, a presença da ronda escolar e vigias noturnos inibem as ações de vândalos. Os rastros da destruição são identificados nos muros das escolas pichados, vidros de janelas e telhados quebrados, além de alambrados destruídos. A biblioteca de uma escola foi destruída. Uma classe devastada. Salas de outra unidade queimadas. O resultado é a insegurança e o medo que dominam diretores, professores e funcionários das escolas, além dos próprios alunos.

Somente nos últimos 15 dias, quatro ocorrências foram noticiadas pelo Comércio. No último dia 12, um aluno foi ameaçado por outros dois estudantes na saída da Escola Estadual “Homero Alves”, no Centro. Um dos agressores estava com uma faca. No mesmo dia, alunos do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual “Professor Otávio Martins”, na Vila Chico Júlio, destruíram mesas, cadeiras e vidros de uma sala quando retornavam da aula de educação física. Durante o ocorrido, não havia professor na classe. No dia anterior, uma adolescente de 14 anos foi detida com uma arma de brinquedo na Escola Estadual “Sudário Ferreira”, no Leporace III. Durante revista à bolsa da aluna, uma faca também foi encontrada pela Polícia Militar. Na última terça-feira, também na “Otávio Martins”, três alunos entre 12 a 14 anos, entraram na escola com uma sacola cheia de pedras e pedaços de madeira e apedrejaram as janelas da instituição.

Três adolescentes foram detidos ao apedrejarem escola na Chico Júlio

Segundo levantamento nas publicações no Comércio, foram registradas 21 ocorrências em instituições ligadas à educação na cidade neste ano - mais de uma por semana. Oito delas foram furtos.

Professores e funcionários têm medo até mesmo de falar sobre a violência que domina algumas escolas. Uma professora da Escola Estadual “Maria Pia Silva Castro”, no Parque do Horto, diz que a todo momento educadores e funcionários sofrem ameaças dos alunos. “Em muitos casos não sabemos o que fazer. Não temos prazer em trabalhar diante essas situações. Dentro da sala de aula, a toda hora somos xingados e ameaçados. Penso até em desistir da carreira e arrumar outro emprego”, disse ela que, receosa, pediu para não ser identificada.

A mesma instituição foi alvo de incêndio em 31 de março. O suposto crime destruiu três salas da administração. Para o professor Marcial Inácio da Silva, o incêndio é consequência da falta de segurança que os professores enfrentam dentro da sala de aula. “Esse incêndio é uma somatória de pequenos atos de violência que vêm acontecendo com frequência. É um absurdo um lugar onde deveria ser símbolo de referência, respeito e formação humana, sofrer essa onda de violência.”

Incêndio destrói salas de escola estadual no Parque do Horto

Os educadores creditam o aumento na violência ao consumo de drogas - segundo eles - cada vez mais disseminado entre os adolescentes. Uma estudante de uma escola da zona norte disse à reportagem que durante o intervalo alguns alunos fumam maconha no pátio da escola e banheiro. “Nem precisamos ver, só pelo cheiro sabemos distinguir que é droga.”

Aproximação
Em nota, a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) apontou que a violência no interior das escolas não se resume a um problema de segurança, “embora seja necessária a presença efetiva da ronda escolar no entorno das unidades escolares”. Segundo o sindicato, a saída é o investimento não apenas material, mas na valorização dos profissionais da educação e a instituição de mecanismos que aproximem os alunos e suas famílias da escola.

A Secretaria Estadual de Educação, através de sua assessoria de imprensa, informou que as escolas da rede contam com professor-mediador, profissional que desenvolve projetos pedagógicos para ampliar os fatores de proteção e coibir eventuais fatores de vulnerabilidade e conflitos inerentes à comunidade escolar.