A dona de casa Júlia Silveira da Silva, 40, vê com receio a chegada dos meses mais secos do ano. É que, praticamente todos os anos, ela e os moradores do Jardim Santa Bárbara enfrentam esses dias difíceis com muita apreensão. Júlia relata que o racionamento e até a falta de água atinge diretamente a rotina de sua casa. “Para lavar roupas e utensílios é uma dificuldade só. Até para o consumo tem que armazenar água. Tem que controlar tudo. Chegamos até comprar garrafas de água diante da falta”, disse.
Com quatro filhos, a dona de casa tem dificuldades especialmente na hora que eles têm que tomar banho para irem à escola. “Levo para casa da minha mãe nesse período ou tomamos banho de baldinho para economizar”, afirmou.
Situação parecida é vivida por Valdomiro Amaro Santos. O pedreiro de 52 anos mora há 18 anos no Jardim Aeroporto. Valdomiro afirma que, nessa época do ano, o sufoco é total. “Chegamos a ficar de um a dois dias sem água, mas, graças à caixa d’água que tenho em casa, controlamos em alguns momentos a situação”, disse.
De acordo com o gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia Calu, para equilibrar o fornecimento de água, a empresa realiza o racionamento, quando alguns reservatórios (do total de 30) são fechados. “Temos um desequilíbrio no sistema com a queda acentuada na produção e aumento no consumo”, explicou. Engrácia relatou que as áreas mais afetadas com a falta de água são as localizadas na parte alta da cidade, como Jardim Aeroporto, Jardim Aviação, Santa Bárbara, Jardim Primavera, região da Capelinha e região da Santa Cruz. O procedimento adotado pela companhia é fechar o fornecimento de água nessas regiões no período compreendido entre 8 e 10 horas.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo espera solucionar o problema de abastecimento de água no segundo semestre deste ano, com a instalação de dois busters (conjunto de bombas) no meio da adutora do Rio Canoas. O investimento para a ampliação do sistema é de R$ 3 milhões.
O Canoas é o principal rio de captação de água e responsável por 80% do abastecimento. De bacia hidrográfica pequena, o Rio Pouso Alegre é outro manancial que fornece água para cidade. Durante a estiagem, o Pouso Alegre sofre diminuição acentuada da vazão de água.
Como a captação no Rio Canoas é de 800 litros por segundo (Pouso Alegre é de 240), a intenção da Sabesp é aproveitar ainda mais o manancial instalando duas bombas ao longo da adutora para elevar sua vazão para 980 litros por segundo.
De acordo com o gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia Caluz, mesmo com a diminuição do Pouso Alegre nessa época do ano, o acréscimo obtido no Canoas equilibrará o abastecimento evitando a falta de água. “As bombas resolverão os problemas de racionamento na época de seca. Até as obras do Sapucaí ficarem prontas, com as instalações dos busters, acredito que equalizaremos a questão da produção de água. Mas alertamos que a população tem que estar ciente e não extravasar no consumo de água, principalmente nesse período”, afirmou Engrácia.