16 de março de 2026

A falência do futebol interiorano


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Apesar de não sermos especialistas da área, como todo brasileiro também somos apaixonados pelo futebol. Aguardamos o encerramento da primeira fase do campeonato paulista de futebol 2012 da série A3, para efetuar alguns comentários a respeito do tema, principalmente em relação aos clubes do interior do Estado de São Paulo

A verdade nua e crua é que clubes do interior paulista, outrora gloriosos, vivem hoje uma situação de completa dependência financeira e administrativa em relação à Federação Paulista de Futebol, que faz com que permaneçam sempre solidários às suas propostas e decisões sempre “unilaterais e autocráticas”, ratificadas pelos presidentes dos clubes para dar um “aspecto” democrático. Federação, segundo o dicionário Aurélio, é a “reunião de grupos profissionais, esportivos, religiosos e outros de caráter definido, para defender e promover objetivos comuns”. Será que a política adotada para o campeonato paulista da série A3, nos últimos anos e principalmente o deste ano, visou a promover os objetivos e interesses dos seus afiliados? Os clubes tiveram praticamente dois meses de atividades; como querer que um time mantenha uma base pelo resto de um ano sem atividades? Como querer que revele atletas? Como conseguir patrocínio para um time sem atividades?

Em razão do descaso que se sucede ano a ano, será que não é chegado o momento dos diretores dos clubes interioranos, principalmente da nossa região, tomarem uma decisão séria e não se deixarem influenciar por ameaças, pressões e quebrar as amarras que lhes deixam eternamente subordinados a uma Federação que somente os reconhecem na hora da reeleição de seu presidente e diretores? Deveriam exigir que o campeonato fosse pelo menos de um semestre, com jogos de ida e volta somente aos finais de semana, como era a divisão intermediária de outrora. Igualmente deveriam exigir uma maior participação nos contratos televisivos, etc. Somente assim poderiam planejar melhor, evitar contusões em elencos reduzidos e principalmente dar uma segurança ao jogador de que estaria empregado por pelo menos seis meses e não por contratos trimestrais.

Agora caso a Federação lhes negue tais condições mínimas para um campeonato decente, os dirigentes interioranos deveriam se reunir e criar um campeonato regional do interior. Nessa hipótese, os clubes negociariam diretamente com as redes de televisão interioranas os direitos de transmissão dentro de valores compatíveis com o mercado. Em razão da divulgação haveria melhores possibilidades de se conseguir patrocinadores, etc. Enfim, a organização estaria a cargo dos clubes.

A história da humanidade nos mostra que toda evolução humana, em qualquer área, se deu em razão da alteração de sistemas instituídos e permanentes. Assim, a hipótese acima – ou, podemos dizer, a ilusão descrita – seria uma tentativa de se inverter uma situação que a cada dia se demonstra mais caótica e sem solução. Sabemos que é remota a possibilidade, em razão da dependência em relação à Federação; o medo de assumir novas posturas; e a ausência de adesão que terá aquele que propor a iniciativa, frente a falta de união entre os clubes.

O ato em si não é nenhuma novidade, basta relembrarmos da criação do Clube dos Treze, que se contrapuseram a CBF e criaram um próprio campeonato em passado recente. Igualmente se o basquetebol hoje vive uma nova realidade foi graças a coragem de diretores que anos atrás romperam as amarras e disputaram uma liga independente. Finalizando, alguma coisa tem que ser feita, o que não podemos aceitar é que esta situação de abandono e descaso para com os clubes de futebol do interior que sobrevivem em razão de alguns abnegados torcedores e de algumas “migalhas” que lhes são atiradas pela própria Federação continue tudo como está, isto é, caminhando ano a ano em direção de um abismo sem volta. Sonho é sonho e não é proibido sonhar. Mas, que os diretores de futebol de clubes do interior, seja de que cidade for, tenham em mente que é preferível errar pela tentativa de buscar uma melhoria, do que imaginar que da forma como está haverá alguma solução, pois isto sim é utopia.

SACOLAS PLÁSTICAS
Estávamos evitando comentar a respeito, mas em razão das infindáveis discussões não podemos deixar de efetuar um pequeno comentário. A verdade é que tudo passa pela educação ambiental, ainda inexistente na forma adequada em nossas escolas, pois é exatamente aí que tem que ser tratada a questão, pois será através da conscientização coletiva que iremos resolver uma série de situações. Não é simplesmente retirando do comércio as “sacolinhas plásticas” que estaremos solucionando o problema ambiental, pois estaremos apenas transferindo o problema. A solução passa inicialmente em saber utilizar com racionalidade (quantidade mínima em cada compra), como descartá-la e aperfeiçoar sua produção para que se decomponha o mais rápido possível nos aterros sanitários e ponto final.

MUITA ÁGUA PASSARÁ PELA ‘CACHOEIRA’
Após muitas reuniões nos bastidores, foi criada a CPI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, com senadores e deputados) que vai investigar as relações do empresário Carlos Augusto Ramos, o chamado “Carlinhos Cachoeira”, com agentes públicos e privados. Como sempre dizemos, o tempo é o senhor da razão, pois Carlinhos Cachoeira é o mesmo que gravou sua conversa em 2002 com Waldomiro Diniz, então assessor do Ministro da Casa Civil, José Dirceu, divulgada em 13/02/2004, onde Waldomiro aparece extorquindo Carlinhos Cachoeira para arrecadar fundos para a campanha eleitoral. Em troca, Diniz prometia ajudar Cachoeira numa concorrência pública. Em síntese, como aceitar que mesmo com todos os problemas anteriores, o tal Cachoeira ainda continuasse a ter livre trânsito nos meios políticos brasileiro?

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br