08 de julho de 2026

Pavimentação do Elimar


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O tempo é uma sensação interessante. Tema de inúmeras músicas, poesias e filmes, é sempre algo que nos encanta e nos incomoda. Encanta porque nos marca os momentos de alegria, conquistas e prazeres. Traz as recordações e nos mostra o quanto de bom já vivemos. Mas ao mesmo tempo incomoda, pelo simples motivo de passar, nos acompanhando em direção ao fim da jornada, algo que todos sabemos inexorável.

Mas há dois tipos de tempo, o cronológico, que marca os minutos, os dias, meses e anos, e o tempo psicológico, que envolve nossas impressões. Na correria da vida moderna, sentimos o cronológico avançar decididamente dia após dia, criando em todos uma sensação de que o tempo atual passa bem mais depressa que o de antigamente.

Mas existe também a impressão no sentido contrário. Quando esperamos muito por alguma coisa, parece que o tempo não passa, aumentando nossa angústia e nossos anseios, a despeito das horas e dos dias seguirem tranquilamente na sua mesma toada de sempre.

Imaginemos, pois, o que é construir sua casa em um bairro, comemorar esse tempo de conquista e felicidade e depois ter que esperar até 14 anos para que as autoridades se decidam a colocar o prometido asfalto na frente dessas mesmas casas, algo tão comum e banal no mundo das cidades.

Nesse exercício de imaginação, seria interessante que voltássemos ao tempo das ruas de terra, dos buracos, das pedras, da lama e da poeira. Se pensarmos no tempo cronológico dos dias mais secos de inverno, ou naqueles outros mais chuvosos de verão, talvez não percebamos nenhuma diferença. Afinal os dias passam igualmente para todos, findando meses e estações.

No entanto, o tempo psicológico dos moradores do Recanto Elimar III, obrigados a viverem com a poeira dos dias mais secos e com a lama e a sujeira dos dias mais chuvosos, é bem diferente daquele cronológico que perpassa o restante da cidade.

Com certeza, para essas pessoas, sobretudo aquelas responsáveis por cuidar da casa e das roupas, ou outras que tenham que caminhar por ruas esburacadas e cheias de desníveis, esses 14 anos devem ter um peso psicológico de 25 ou 30 anos. Não deve ser nada fácil observar as roupas limpas e lavadas de seu guarda-roupa se transformar aos poucos em sujas e empoeiradas, mesmo sem ser usadas, apenas porque o asfalto que deveria permear o bairro vem resistindo à ação do tempo e à inação das autoridades competentes.

Nesse sentido, é imprescindível que a Prefeitura não perca mais tempo e asfalte rapidamente o bairro. Sem pensarmos em termos de mandatos, já se passaram quase quatro administrações e ninguém ainda resolveu o problema.

Quem sabe agora, em novos tempos de eleição, o asfalto chegue ao Elimar.