Sem iluminação, sem manutenção, cheias de mato e desniveladas, vielas construídas há mais de 15 anos em vários pontos da cidade para facilitar a vida dos pedestres nos casos em que os quarteirões tinham mais de 300 metros são hoje um problema urbano. Na Secretaria Municipal de Planejamento, as reclamações sobre esses espaços são constantes. A maioria dos moradores se queixa da falta de segurança e da sujeira. Levantamento da Prefeitura identificou que pelo menos 128 vielas necessitam de serviços.
No Jardim Palma, na rua Fábio Lourenço, a viela de passagem mais parece um terreno estreito e abandonado. Tijolos amontoados, mato grande, lixo por todo canto e, à noite, total escuridão. “Esse é um espaço que não serve para nada, a não ser para bandidagem. Ninguém mais tem coragem de passar por aqui. Os únicos que o usam são os viciados em drogas”, disse um dos moradores vizinhos à viela que pediu para não ser identificado.
Na Vila Imperador, o drama se repete. Vielas estreitas se espalham pelo bairro sem iluminação. “Aqui temos muito medo à noite. Com a escuridão, não é possível ver se tem alguém à espreita. Já fui assaltada e tive a casa invadida. Isso sem falar na presença de drogados que tomam conta do lugar à noite, principalmente, aos fins de semana”, disse uma moradora do bairro que sofre com o problema há três anos, desde que se mudou.
No Jardim Zelinda, uma das vielas fica encostada à divisa com a Escola Municipal Jerônimo Costa, que está desativada. Tomada pelo mato e com enormes desníveis, o local virou moradia para animais peçonhetos e insetos. Até sapos são encontrados por ali. “É um espaço inútil. Ninguém se atreve a atravessar. Só serve mesmo para os ratos e outros bichos. Já reclamei, mas até agora a Prefeitura não tomou nenhuma providência”, disse uma moradora.
No Parque Vicente Leporace, na rua Ivete Vargas, uma das vielas que não tem iluminação já é ponto conhecido de drogas e prostituição. “Aqui tem de tudo. Sem iluminação, esse lugar parece até um motel, o dia amanhece com um monte de preservativos no chão. À noite, é uma bagunça só. Se pudesse, já teria me mudado daqui”, disse a dona de uma casa que fica na vizinhança e que também pediu anonimato.
Segundo ela, a viela sempre foi um transtorno. “Desde que me mudei, há uns 20 anos, isso é um inferno. Já reclamei na Prefeitura um monte de vezes. Há dois anos, eles vieram e asfaltaram, mas não colocaram iluminação. Não adiantou nada.”
A extensão da maioria das vielas é de cerca de 50 metros, mas há algumas bem maiores, como a do Jardim Líbano, que tem 800 metros e não possui pavimentação nem iluminação.
SOLUÇÃO
Para tentar acabar com as queixas, a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo prepara um projeto de revitalização desses espaços. A ideia é asfaltar e iluminar todas as vielas hoje existentes na cidade e vender as que não tiverem utilidade pública. Ao todo, o projeto contempla 128 vielas espalhadas pela cidades (leia mais em texto nesta página).