O que nos intriga é que após a aprovação de legalidade do aborto de anencéfalos, estamos nos comportando como os nazistas de outros tempos, que pregavam exatamente a seleção e a morte de vidas humanas que, na concepção alemã, eram tidas como sem nenhum valor
Em 1932, o professor de antropologia, Hans Günther, da Universidade de Jena, na Alemanha, autor do livro Higiene Racial do Povo Alemão, palestrava explicando suas ideias e do colega Alfred Plötz defendendo que: “Os avanços da medicina encorajam a sobrevivência de cepas humanas degeneradas. Isso atrapalha o desenvolvimento natural das pessoas mais capazes e impede a supremacia do povo nórdico”. Na plateia, Adolf Hitler, ouve atentamente as palavras do professor. O restante da história, todos nós conhecemos.
Caro leitor que nos prestigia com sua leitura dominical, nós já abordamos em outras oportunidades nossos pensamentos em relação a legalização do aborto, mas em razão da votação ocorrida no STF (Supremo Tribunal Federal) na noite da última quinta-feira, que legalizou o aborto de anencéfalos, como cristão e defensor do princípio absoluto da vida e como jurista frente a flagrante falta de previsão constitucional e legal, não poderia deixar de novamente tratar do tema.
As argumentações “pretensamente científicas”, trazidas pelos ministros do STF para justificar seus votos, apesar de inconsistentes, dificilmente mudariam tais votos, visto que a defesa das ciências materialistas goza das prerrogativas da razão; por outro lado o pensamento espiritual cristão é muito mais difícil de ser compreendido em sua plenitude. O que nos intriga é que após a aprovação de legalidade do aborto de anencéfalos, estamos nos comportando como os nazistas de outros tempos, que pregavam exatamente a seleção e a morte de vidas humanas que, na concepção alemã, eram tidas como sem nenhum valor.
Outrora os alemães e agora nossa sociedade aceita que se dê autorização para a prática abortiva de bebês com má-formação do crânio ou do cérebro, considerando que a condição deles seria “incompatível com a vida”, e por isso pode ser exterminada.
A doutrina da higiene racial, originária da ciência que prega a seleção genética, está de volta, agora legalizada por aqueles que sempre combateram a “pureza racial” defendida por Hitler e seus líderes. Quando se afasta a aceitação de uma “determinação” superior sobre a vida, como emanação da graça de Deus, passando a ser analisada pela viabilidade e a sua utilidade futura, realmente temos que convir que estejamos chegando aos “fins dos tempos”.
Como aceitar que a possibilidade de problemas, ou mesmo de morte precoce, possa valer como uma autorização automática para se cometer um assassinato? Obviamente sabemos que todos nós um dia morreremos, porém quem será o próximo? Um ser humano saudável pode morrer agora e pessoas com doenças graves podem viver longos anos. Agora querer matar por ser provável que se morra amanhã é apavorante, principalmente por considerar que se pode matar, que se pode julgar que uma vida presente não tem nenhum valor.
A verdade é que o Estado somente pensa em números, ou seja, não quer nem saber de questões morais e éticas, quer apenas diminuir seus custos com tratamentos de saúde, como ocorrem em outros países. A persistir tal linha de pensamento e conduta social, hoje podem ser os fetos anencéfalos e, provavelmente no amanhã serão os idosos e mais adiante podem ser quaisquer pessoas que julguem não ser “produtivas o bastante” para continuar vivendo na Terra. A pergunta que fica é: será que passadas algumas décadas, nossas autoridades concordam que Hitler estava certo?
CÓDIGO FLORESTAL
Semanas atrás ouvimos representantes de ONGs (Organizações Não Governamentais, brasileiras e estrangeiras) defenderem a necessidade de não se alterar as regras para as áreas de reserva legal, pois, segundo eles, está cientificamente comprovada sua necessidade como medida de preservação da natureza. O interessante é que a chamada reserva legal defendida pelas ONGs internacionais, não é adotada internacionalmente. Ora se a “verdade científica” vale para a legislação brasileira, por que não vale em seus países?
Caro leitor, os debates sobre o Código Florestal brasileiro escondem situações e interesses que o cidadão sequer imagina. A pergunta que fica é: por que as ONGs internacionais não lutam pela reserva legal dentro de seus próprios países? Alguns “ambientalistas” se colocam numa posição moralmente superior, como se fossem proprietários do “dever ser”, dos valores que deveriam nortear a sociedade e o Estado, radicalizando toda uma situação, pois em suas óticas os que seriam contra a sua posição seriam, por definição, contra a “natureza” e contra a “moralidade”.
A propósito, como acreditar em ONGs que deveriam sobreviver sem nenhum vínculo governamental viverem “penduradas” aos governos de onde recebem dinheiro, convênios etc, sem ao menos serem fiscalizadas. Ora se são “não governamentais” que assim sejam e que não sobrevivam à custa do cidadão contribuinte.
OAB E A SAÚDE
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) quer colher números de assinaturas suficientes para apresentar projeto de lei de iniciativa popular, visando que o governo federal destine 10% do orçamento para aplicação em saúde. Que nos desculpem, mas de “boas intenções tem um lugar já cheio de gente”. Por que a OAB não intensificou debates e pressões para a colocação em prática quando da recusa do governo federal em cumprir a Emenda Constitucional nº 29, que previa exatamente o que agora querem apresentar como a solução para o problema da saúde do Brasil? Em nossa humilde opinião a OAB deveria olhar prioritariamente para alguns problemas que seus associados, principalmente os do interior, vivenciam diariamente, soluções que também são prometidas em campanhas eleitorais na OAB, mas que na prática não se realizam.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br