Experimente chamar de motoqueiro um motociclista e ele vai te explicar detalhadamente, talvez por horas, a diferença entre as duas palavras. Acredite, ele só vai parar após te convencer que os primeiros são, na imensa maioria das vezes, irresponsáveis que usam a moto para se exibir. Motociclistas, ao contrário, tratam suas motos quase como um membro da família e se cuidam muito em cima delas.
Seja pela liberdade de ter o vento e a chuva batendo no rosto ou pela velocidade que elas alcançam, o fato é que esse amor reúne milhares de pessoas em motoclubes espalhados pelo Brasil. Em Franca são mais de 10.
O número é justificável se levarmos em conta a quantidade de veículos que podem fazer parte dessas associações. Segundo dados da Secretaria Municipal de Segurança e Cidadania, em novembro do ano passado havia na cidade 46.451 motocicletas, 5.569 motonetas e 29 triciclos - três deles associados ao motoclube “Os Zangados”.
O nome da organização, as gigantes motos que eles exibem ou os coletes de couro cravejados de tachinhas podem causar estranheza à primeira vista, mas dois minutos de conversa com algum desses “caras” tranquiliza e deixa à vontade qualquer mocinha. E eles garantem: “São gente de bem que querem apenas curtir a vida sobre duas, às vezes três rodas, nas estradas do país”.
Nos motoclubes o espírito que prevalece é o de companheirismo e respeito entre os participantes. Em um viagem que fazem juntos, por exemplo, ninguém sai sem ferramentas, cabos e vela e, se algum integrante tem um incidente, todos param para ajudar. O problema de um é o problema de todos. Saem e chegam juntos.
FESTA
Para participar de um motoclube é imprescindível a vontade de ajudar o outro e pensar no coletivo. É por essa razão que “Os Zangados” planejaram para este fim de semana uma festa para receber em Franca quem os acolhe fora daqui. Segundo Ricardo Couto, 49, motociclista há 31 anos, é comum que os anfitriões ofereçam hospedagem e alimentação para quem os visita.
Sob a presidência do “bruxo” Severino Roseno da Silva, o “Zangado”, o motoclube comemora seis anos de existência. A festa, que acontece desde ontem no Acácia Clube, é a primeira do clube. A previsão é receber nesses dois dias cerca de 1 mil motociclistas de mais de 150 clubes do Brasil. São aventureiros de São Vicente, Ubatuba, São Paulo, Olímpia, Barretos, Uberaba, entre outras cidades. Qualquer pessoa, porém, pode participar do evento. A entrada custa R$ 10.
Para os motociclistas haverá área de camping, jantar, café da manhã e almoço, tudo na faixa. Três bandas devem se apresentar ao longo dos dois dias: Kolt Pink Floyd Money, Maphia e Eletrola Acústica.
NOIVA
O perfil - e os veículos - dos integrantes de um motoclube é bem democrático. No “Zangados” há crianças (filhos dos integrantes) que aprendem desde cedo a gostar das aventuras em cima de uma moto. Há mulheres motociclistas, como Carla Domiciano, dona de uma Honda XR-300, e mulheres que não pilotam, mas acompanham os maridos nas viagens e encontros pelo Brasil, como a Vera Lúcia Martelozo e a Juslene Couto. Logicamente, a maioria dos integrantes são homens de todas as idades e profissões, como o comerciante Ricardo Couto, dono de uma V Strom, da Suzuki, o eletricista de autos Edson Fernando Spirlandelli, 44, dono de uma Honda Shadow, e o presidente do motoclube, o funileiro Severino Silva, dono de um triciclo e de uma CB 500, também da Honda.
Em comum, todos têm a paixão pela aventura. Paixão que fez Carla optar por chegar ao seu casamento em um transporte incomum: o triciclo do padrinho e presidente do motoclube, Severino.
“Vestida de noiva, com véu, grinalda e buquê, ninguém esperava que eu aparecesse no triciclo, mas para mim foi uma honra, pois ele é o símbolo do nosso motoclube e o Severino, que me levou, é nosso paizão”, disse Carla.
Mais informações: www.independentes.com.br/motorcycles.