08 de julho de 2026

Festas open bar


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Festas, geralmente, são momentos de descontração. Espaços em que as pessoas se divertem e se livram do estresse cotidiano. Como a criatividade humana não tem limites, há sempre aqueles que inventam diferentes tipos de festas, só para variar um pouco, ou mesmo para faturar um pouco mais. Temos a festa do pijama, do cabide ou à fantasia. Atualmente, a open bar é uma das mais comuns. Uma excelente estratégia de marketing, apesar de não ser original. Segue na mesma linha dos rodízios. Calculam-se os custos e os lucros pela média per capita do consumo e no final, além dos lucros, sobra a ideia do excesso, um apelo emocional eficiente junto ao público alvo.

No entanto, em maio do ano passado, o presidente do Castelinho apresentou alguns vídeos na Câmara Municipal. Neles era possível ver jovens saqueando bebidas, brigando e quebrando as dependências do clube. Na ocasião, inclusive, solicitou aos vereadores que tomassem uma decisão contra esse tipo de festa. Segundo ele, algo precisaria ser feito antes que alguém viesse a morrer.

O problema é sério, sem dúvida, e demanda cuidados. Porém, é preciso dosar o remédio. É sempre bom tratar os sintomas, mas sem matar o paciente. A Câmara, entretanto, preferiu seguir o caminho mais fácil. E mais cômodo. Seguiu à risca o conselho do presidente do Castelinho e ao invés de pensar um projeto que atacasse as causas desses problemas, acabou propondo o fim desse tipo de festa.

A reação da sociedade, porém, foi bem rápida. Obviamente, contra o projeto, pois se ele fosse aprovado da forma como foi proposto, estaria proibindo até mesmo festas de formatura e jantares beneficentes, entre vários outros eventos que são totalmente pacíficos e destinados a um público que não costuma promover brigas, saques ou qualquer tipo de destruição.

Além disso, essa seria mais uma lei antidemocrática, que invade o direito e a liberdade das pessoas, tanto das que organizam os eventos, quanto das que os escolhem para lazer e divertimento. E como os acontecimentos sociais não podem ser proibidos só porque algumas pessoas entendem que são perigosos, essa lei seria também inócua, uma vez que seria transgredida pelos mais diversos estratagemas.

Felizmente, a votação do projeto foi adiada por dez sessões, tempo suficiente para os vereadores perceberem o quanto o projeto é ‘furado’. Como as festas são privadas, talvez fosse melhor cobrar mais responsabilidade dos organizadores. Talvez o Castelinho ou qualquer outro organizador pudesse filtrar melhor seus clientes, reforçar a segurança e acionar as instituições e os órgãos competentes quando houvesse algum problema.

Não precisamos de mais leis desse tipo. Se fizéssemos valer as que já existem com certeza não estaríamos fazendo esse debate.