Vivemos tempos difíceis em Franca e região. O medo e a insegurança tomam conta das pessoas e as fazem reféns dentro de suas próprias casas. Todos os dias, infelizmente, as páginas deste Comércio estão prenhes de casos que estampam a violência aparentemente sem lógica que toma conta da cidade.
Se antes eram apenas furtos pelas horas mais silenciosas da madrugada, agora estamos assistindo a uma avalanche de roubos a qualquer hora do dia, mediante coação e ameaças por parte dos assaltantes.
E essa onda de violência não se limita apenas a Franca. Nas pequenas cidades da região, há alguns anos extremamente pacatas, as ações de bandidos começam a avolumar-se e a tomar conta das rodinhas de conversa, dos noticiários e também do imaginário das pessoas.
Ninguém parece mais tranquilo, nem mesmo com todos os aparatos de segurança que permeiam a vida urbana moderna.
A polícia, a despeito de todo o seu esforço e trabalho, das prisões e das quadrilhas desbaratadas, parece que não está conseguindo dar conta de tanta ousadia.
Enquanto isso acontece em nossas ruas, bairros e cidades, no alto escalão de nosso governo outras tantas barbaridades são perpetradas contra o nosso patrimônio. Atitudes que apesar de distanciadas de nossa realidade cotidiana, nos ajudam a compreender melhor essa preocupante situação que estamos vivenciando hoje em dia.
Se em nível local assistimos inertes a um bando de assaltantes invadirem nossas casas e de lá levarem o suor de nosso trabalho, em Brasília assistimos com a mesma inércia à ação predatória de senadores, deputados e governadores, todos flagrados em tranquilas conversas telefônicas que mostram os excelentes serviços que todos têm prestado à contravenção.
Pode não parecer, mas entre essas duas situações é possível encontrar uma relação muito forte e direta, além de preocupante e perigosa. Se considerarmos que os homens incumbidos de elaborar e de executar as leis que nos governam estão abertamente ‘enfiando os pés pelas mãos’, sem que nada lhes aconteça, não é difícil imaginar que muita gente no ‘andar de baixo’ irá seguir pelo mesmo caminho, aproveitando-se da mesma condição de impunidade que parece permear a sociedade em todos os seus níveis.
A questão, obviamente, é um pouco mais complexa. De qualquer forma, mesmo que pareça simplista, o raciocínio exposto acima merece alguma consideração. Afinal é muito comum ouvirmos a população dizer que todo mundo rouba, que na política só tem ladrão, que sempre foi assim e que isso nunca vai mudar.
Apesar de não serem verdadeiras nem consensuais, se nada fizermos para mudar essas impressões, elas se tornarão, pela repetição, cada vez mais verossímeis. E quando se transformarem em consenso, aí talvez seja tarde para reverter a situação.
Além do mais, ou antes de mais nada, o exemplo deveria vir de cima. Porque ele sempre falará mais alto que as palavras.