A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) registrou nos últimos três anos queda de 14,7% no número de linhas de telefones fixos em Franca. Em fevereiro de 2009, eram 76.600 telefones fixos. Este ano, o número caiu para 65.338. De acordo com assessoria de imprensa da Anatel, o número refere-se apenas às linhas da CTBC, concessionária que detém a permissão de prestar o serviço.
A agência não tem controle do número de outras prestadoras que passaram a oferecer o serviço. A justificativa é que por serem muitas autorizadas e operarem em regime privado, os dados compilados se limitam ao código de área.
Segundo o economista Donizete Tridico, o surgimento de novas tecnologias como a telefonia celular é o grande fator gerador dessa queda.
Os números comprovam. Dados da Anatel que incluem todos os telefones móveis com código de área 16 mostram um saltou de 2.389.861 aparelhos em 2009 para 3.768.790 em 2012, o que representa um aumento de 36,5%.
O celular é apontado pelo especialista e pela população como melhor opção que o telefone fixo pela praticidade.
“Você pode levar a qualquer lugar”, afirma a estudante Thaila Randoli, que aos 11 anos já tem um aparelho com dois chips de empresas de telefonia celular diferentes. “O telefone fixo ficava só em casa”, completa a irmã de 13 anos, Nicole Randoli.
Na casa da família, o telefone fixo hoje é apenas um objeto de decoração, já que a assinatura da linha foi cancelada devido ao custo.
ASSINATURA
O economista explica que a linha fixa deixou de ser vantajosa não apenas pela falta de mobilidade, mas pelo custo da assinatura - que deve ser paga mensalmente sob a sanção de interrupção dos serviços prestados.
“Os aparelhos de celular hoje não são especificamente para falar. Eles têm muitas funções. E o telefone fixo? Nada”, diz o economista Tridico, ao destacar os motivos pelos quais houve queda expressiva no número de usuários da telefonia fixa em Franca.
A funcionária pública Silvia Cristina Maranha, 50, foi uma das pessoas que contribuiu para o crescimento do número de telefones celulares e a diminuição das linhas fixas. “Quase não fico em casa. A conta telefônica vinha, você usando ou não os serviços. Hoje os planos oferecem facilidades para ter um celular. É mais viável economicamente”, afirma.
O aposentado Gesu Mendes da Silva, 66, conta que é da época em que telefone fixo em casa era artigo de luxo. “Poucas pessoas tinham. E quem queria ter pagava.” Hoje, o aposentado tem um celular e cancelou a linha fixa por “gastar muito sem usar”. Além de Gesu, as outras quatro pessoas que moram com ele também têm telefones móveis.
A promotora de vendas Vera Lúcia Mantovani tem no aparelho celular um instrumento de trabalho.
“Preciso dele para atender meus clientes, ganho bônus e falo bastante. Telefone fixo dava gasto e não tinha utilidade para meu negócio”, destaca.
Para o economista Tridico, essas mudanças no comportamento das pessoas desencadeiam alterações no comportamento das empresas e na oferta de serviços.
“Aí sim você tem que andar junto. E,consequentemente, sempre tem um lado que perde ou deixa de ganhar”, conclui, se referindo às empresas de telefonia fixa.