08 de julho de 2026

Ilhas Malvinas


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Na madrugada de 2 de abril de 1982 o governo da Argentina, sob comando do ditador e general Leopoldo Galtieri, determinou que tropas militares invadissem as Ilhas Malvinas (para os argentinos), ou Falklands (a denominação britânica), arquipélago de soberania inglesa com cerca de 3 mil habitantes, a maioria de súditos ingleses.

As ilhas Malvinas pertencem aos argentinos, para os argentinos, muito embora em 1883 a Inglaterra tenha assumido o comando do arquipélago expulsando as autoridades do governo argentino. Portanto, no entendimento de muitos, é um caso típico de esbulho possessório.

O ataque militar argentino foi considerado por especialistas uma ‘aventura militar, sem preparação nem organização’. A invasão acabou sendo fortemente rechaçada pela Inglaterra, então sob o comando da ‘Dama de Ferro’, a primeira-ministra Margaret Thatcher, com forte apoio militar do governo norte-americano.

O conflito armado durou 74 dias e acabou com a rendição das tropas do general Leopoldo Galtieri, composta por recrutas sem qualquer treinamento. Infelizmente tombaram mortos 649 argentinos e 255 britânicos.

No último dia 2 de abril, essa absurda aventura militar completou 30 anos sem ter nada para comemorar, muito pelo contrário, com muito a lamentar.

Na época do conflito a guerra foi considerada sem sentido, pois o arquipélago não tinha qualquer representação econômica relevante, tanto que o escritor argentino Jorge Luiz Borges, bastante consternado com a guerra e suas consequências, comparou a briga dos dois países ‘a uma disputa entre dois calvos por um pente’.

Os especialistas em Direito Internacional, logo após o término do conflito, passaram a recomendar uma solução negociada para o impasse, tendo havido sugestões até de uma soberania compartilhada, hipótese, convenhamos, de pouca praticidade.

A possibilidade de uma solução amigável se apresentou plausível em 1994 quando o ex-presidente Menem restabeleceu relações com o Reino Unido, tendo inclusive hospedado os Príncipes Andrew e Charles.

Voltou a se complicar em 1998 quando foram detectadas reservas de petróleo no arquipélago. Com as descobertas a região se transformou em ativo econômico relevante e, assim, objeto do desejo dos dois países.

O conflito militar das Malvinas acabou transferindo-se para o esporte, especialmente para o futebol. Os jogos envolvendo os dois países, ao longo desses anos pós-guerra, sempre foram marcados por grandes tensões dentro e fora dos gramados.

Guerra nunca se justifica. No entanto, a derrota dos argentinos para os ingleses há 30 anos, pelo menos serviu para determinar o desaparecimento da odiosa ditadura militar argentina, reconhecidamente bem mais radical e violenta do que a que se instalou no Brasil em 1964. Talvez, novamente, ‘o Criador tenha escrito certo por linhas tortas’.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca